A água não é mercadoria!

Na noite da última quarta-feira (22), data em que se comemora o “Dia Mundial da Água”, o mandato do vereador Renato Cinco (PSOL) promoveu o debate público “A guerra da água no Rio”.

O evento tinha como objetivo debater a privatização da CEDAE, autorizada pela maioria dos deputados estaduais, em uma ALERJ cercada pela polícia.

No debate, foi anunciada a criação de uma “Assembleia Popular da Água”. O documento de lançamento da Assembleia, assinado por diversas entidades (veja o documento completo abaixo), reafirma a importância da mobilização popular.

O vereador Renato Cinco lembrou que a privatização não é um fato consumado.
“Essa foi a primeira batalha dessa luta. Nós vamos seguir e certamente vencer, mas para esse enfrentamento precisamos construir instrumentos de luta, inspirados pela base e de forma horizontal, por isso apoiamos a criação da assembleia popular da água”, disse.

Na mesa do debate estavam presentes, além de Renato Cinco, Ary Girota (delegado sindical da CEDAE); Flávia Braga (professora da Universidade Federal Rural); e Oscar Olivera (liderança popular da “Guerra da Água” na Bolívia).

“Por que essa sanha e gana de privatizar a CEDAE? Porque a CEDAE, hoje, derruba qualquer argumento dos neoliberais, que sempre usaram o discurso de que o que é público é deficiente, de que o que é público dá prejuízo. A CEDAE é a única empresa no Estado do Rio que gera lucro”, disse Ary Girota.

A professora Flávia Braga lembrou que parte desse lucro é obtida a partir da exploração dos trabalhadores e alertou para a impossibilidade de competição entre empresas de água.

“Você não pode fazer três ou quatro sistemas de abastecimento na mesma cidade. Você tem um único sistema e isso significa que você é obrigado a ser atendido por uma única empresa. Por isso, na maior parte do mundo, quem controla a distribuição de água é o Estado”, afirmou.

No evento, a funcionária da CEDAE e ativista Mariana Lacerda foi homenageada, pelo vereador Renato Cinco, com uma moção de louvor.

“Sem água não há cachaça”

O líder popular boliviano foi presenteado pelo vereador com uma garrafa de cachaça e contou um pouco da luta contra a privatização no país vizinho.

“Usamos técnicas imaginativas que saíram das pessoas mais comuns”, disse Oscar, citando uma consulta pública e uma grande fogueira com as faturas da água.

É importante lembrar que 235 cidades, em 37 países, já reestatizaram a água. Na Bolívia, a tentativa de privatização gerou uma verdadeira guerra. A água é um direito de todos/as, fundamental para a vida. Não pode virar mercadoria. Participe dessa luta!

Leia o manifesto de convocação da “Assembleia Popular da Água”:

ÁGUA É VIDA E NÃO MERCADORIA

A água é um direito de todos, essencial para a vida. No entanto, a economia capitalista tenta transformar esse bem comum em mero insumo para produção e lucro. No mundo todo, a indústria e o agronegócio consomem 90% da água doce, enquanto falta água para milhões de pessoas. Grandes empresas tentam privatizar e controlar a água, gerando diversas lutas e conflitos. Como resultado dessas lutas, mais de 200 cidades já reestatizaram a água, baseadas no entendimento de que seu acesso deve ser garantido a toda população. Para nós, a água é um bem comum, não é mercadoria e não pode ser privatizada.

No Rio de Janeiro, a privatização da Cedae foi autorizada pela ALERJ. Em meio à crise econômica, o Governo Estadual e seus deputados, sem qualquer respeito pelos interesses da população, querem entregar esse patrimônio às empresas que financiaram e investiram em suas campanhas políticas. Quebraram o estado e ainda querem levar a nossa água. As manifestações de rua demonstram que o povo do Rio não aceita isso. Temer, Pezão, Picciani e cia não têm legitimidade para tomar essa decisão. Não deixaremos.

Reafirmamos que a luta contra a privatização da água no Rio apenas começou. Nós, movimentos sociais, entidades e militantes dessa causa queremos construir uma grande e duradoura articulação para fortalecer essa luta. Convocamos a todas e todos para juntos organizarmos a “Assembleia Popular da Água” e nosso primeiro encontro, previsto para a semana do meio ambiente em junho. Decidir sobre a água é um direito do povo. Como em outros lugares do mundo, vamos nos organizar e impedir que a privatização nos tire esse direito. Vamos lutar para manter a água pública e exigir que atenda a todos. Água é vida e não mercadoria!

Assinam:

MAB – Movimento de Atingidos por Barragens
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
UMP-RJ – União Moradia Popular RJ
AGB-RJ – Associação de Geógrafos Brasileiros RJ
APEDEMA-RJ – Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente RJ
Militantes Cedaeanos
Fórum Sociedade Civil dos Comitês de Bacias Hidrográficas
PACS
IBASE
Mandatos Renato Cinco, Flávio Serafini e Talíria Petrone (PSOL)
Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
FASE
Laboratório de investigações em educação, ambiente e sociedade – UFRJ
ISER
CDDH de Petrópolis