Contra a discriminação racial

Há 57 anos, negras e negros da África do Sul levantavam-se contra o Regime do Apartheid e a Lei do Passe – que restringia o acesso de pessoas negras às regiões centrais das cidades. A manifestação marcaria o dia 21 de março de 1960, quando milhares de manifestantes foram agredidos pela polícia num ato de extrema covardia, barbárie que resultou em 69 mortos e mais de 180 pessoas feridas.

Para lembrar a resistência das negras e negros que marcharam na África do Sul foi instituído, em 1969, o “Dia Internacional Contra a Discriminação Racial”. A data do “Massacre de Sharpeville” ganhou um novo significado e passou a ser utilizada em todo o mundo como instrumento de denúncia do racismo.

O Brasil é um país cultural e estruturalmente racista. Tem a sua história manchada pela escravidão de indígenas e negros. Esse triste passado ainda persiste na atuação das forças de repressão do estado, que classificam “todo preto como suspeito”, no genocídio da juventude negra e periférica, na violência obstétrica a que são submetidas as mulheres negras, nos piores postos de trabalho e mais baixos salários, na invisibilidade do racismo, na objetificação e exploração de corpos negros pela mídia brasileira.

Em discurso no plenário, nesta quinta-feira (23), o vereador Renato Cinco fez a leitura do manifesto redigido pela campanha “21 Dias de Ativismo Contra o Racismo” no Rio e reafirmou o seu compromisso no combate à discriminação: “O governo do Estado e a prefeitura do Rio permanecem reproduzindo violências aos patrimônios negros com a política de remoção, militarização de territórios, gentrificação e o embranquecimento da paisagem para o mercado turístico internacional. Celebra-se na região a criação do Museu do Amanhã e o MAR (Museu de Arte Rio), apagando o passado dos patrimônios negros”, destacou Cinco.

Veja a íntegra do discurso:

São muitos os problemas enfrentados pelo povo negro, mas acreditamos que “venceremos os que ferem nossa cor e nossa pele porque não sentem o que eu sinto”.