“Ela morreu de uniforme”

A frase acima foi dita pela mãe da estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, de apenas 13 anos, morta pela polícia dentro de uma escola municipal, em Acari, Zona Norte do Rio, no final do mês passado. A jovem foi assassinada com seis perfurações de bala, quando participava de uma aula de educação física, uniformizada e na quadra da escola.

Na última quinta-feira (06), o vereador Renato Cinco (PSOL) discursou sobre a política falida de guerra às drogas.

“Independentemente do êxito da operação, cada uma dessas ações policiais é um fracasso, porque a principal tarefa da polícia deveria ser preservar a vida das pessoas, a vida dos policiais, a vida de inocentes e as vidas dos criminosos, é para isso que serve a polícia. Quando ela age diferente disso, ela destrói a democracia, porque age como bandido”, disse.

O vereador aproveitou para anunciar a criação da Comissão Especial para propor políticas de assistência às vítimas da guerra às drogas.

“A nossa Câmara precisa estudar como o município pode apresentar propostas que sejam realmente eficientes e, assim, pelo menos minimizar a dor das famílias, sejam de policias, sejam de inocentes, sejam de criminosos”, afirmou.

Na operação que vitimou Maria Eduarda, PMs foram flagrados matando dois jovens em frente à mesma escola. Os rapazes já estavam imobilizados e deitados no chão, quando foram executados.

Desde o início do mês, outras cinco pessoas foram mortas durante operações policiais. O Estado brasileiro é o mais letal do mundo. Somente as polícias militares do Rio e de São Paulo matam mais pessoas do que todos os Estados com pena de morte. Cadeia e morte é o que o Brasil produz há décadas.