Poesia, favela e funk marcam lançamento do novo livro de Sérgio Vaz

Poesia, funk, juventude, favela, política e cotidiano. No início do mês, o Espaço Plínio abriu as portas para o Lançamento do livro “Flores de Alvenaria”, do combativo poeta Sérgio Vaz.

A ponte cultural contou com as participações do grupo de teatro Nós do Morro, do Vidigal, da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk) e da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), de São Paulo.

Os versos afiados e as rimas engajadas contagiaram o público e fizeram da noite um momento de celebração. Veja o vídeo:

MC Leonardo, integrante da Apafunk, escreveu para revista Caros Amigos sobre essa experiência cultural. Leia o texto:

Viva a Cultura Viva

Diante de tanta notícia de corte de verba e perda de direitos em todas as áreas, muitos agentes culturais espalhados pelo Brasil estão pensando como vão continuar trabalhando, já que sua área será duramente afetada.

Muitos artistas tiveram que se profissionalizar de tal forma para se enquadrar nas tais leis de incentivo à cultura, que hoje correm o risco de não mais produzir por falta dela.

Nesse momento é preciso olhar para traz e ver quem (e como) produziu sem verba alguma no passado, ou seja, colar nos artistas realmente populares.

Vivi um exemplo claro sobre o que estou falando.

No dia 20 de Março, recebo um telefonema do poeta Sérgio Vaz:

– Fala Mc, vamos acordar, vamos acordar!

– Fala Serjão, como andam as coisas meu parceiro?

– Tá tudo indo. Estou ligando pra te avisar que vou fazer um trampo aí no Rio no próximo dia 05.

– Que bom, quer dizer que iremos botar nosso papo em dia?

– Sim, mas eu quero mais que isso.

– É você quem manda.

– A gente bem que podia fazer um sarau aí, né?

– Ué, se podemos, faremos. Aliás, tenho um espaço pronto pra isso aqui na Lapa.

– Jura, mano? Tem como fazer o lançamento do meu livro lá?

– Já disse que é você quem manda.

– Então liga pro Guth Fraga, vê se ele pode envolver o Nós do Morro isso.

– É pra já.

E lá fui eu ligar.

-Fala Guth!

-Fala Léo!

– Meu parceiro, eu vou direto ao assunto, vou lançar o livro do Sérgio Vaz aqui na lapa, e o Sérgio me pediu para envolver o Nós do Morro nessa ação aí.

– Que noticia ótimo Léo, vou ver com a turma aqui, pois no dia 5 de março teríamos o Campinho Show (que acontece mensalmente toda primeira quarta do mês no alto do Vidigal), vou me reunir com eles e te chamo aí.

– Já é, fico no aguardo.

Enquanto aguardava a resposta do Guth, reuni a galera do Espaço Plinio de Arruda Sampaio (que é uma extensão do mandato do Vereador Renato Cinco PSOL – RJ, onde estou assessor) para tentar passar pra eles a importância da oportunidade que estávamos tendo para o lugar, missão mais do que fácil.

Com a resposta positiva do Guth, liguei novamente pro Sérgio e juntos criamos um nome para o evento (Ponte Cultural), e logo depois a arte, os folders, os banners etc…

A galera deixou a imaginação fluir e preparam de maneira singela o Espaço Plinio para aquela noite.

Tudo em 15 dias.

Chegou o grande dia.

De São Paulo, além do Sérgio Vaz, chegaram mais 2 carros de poetas lá da Cooperifa.

Do Vidigal, além do Guth Fraga, chegaram 25 atores que fizeram uma batalha de poesia em torno da obra do Sérgio Vaz.

Da Rocinha, além de mim, chegaram o Mc Junior e Dj JF.

Preciso dizer que deu certo?

Lançamento de livro (que diga se de passagem foram todos os 80 vendidos), ao som de muito funk e exibição teatral.

Agora eu te pergunto:

Como botar isso em um papel e disputar edital para fazer?

Se a gente for esperar as leis de incentivo para fazermos aquilo que sabemos fazer, não iremos fazer.

Temos que nos preparar para lutar por tudo o que a cultura vem perdendo e ainda vai perder, mais temos também que nos unir com aqueles que sabem que o simples fato de mostrar que estamos vivos culturalmente, já é uma atitude revolucionária.