De Rafael Braga à guerra no Alemão: a proibição segue deixando vítimas

 

Rafael Braga Vieira, 27 anos, negro, catador de latas, condenado a 11 anos de prisão por tráfico de drogas. Foi o único condenado dentre os presos durante as grandes manifestações de junho de 2013, detido por portar uma garrafa de desinfetante. Após conquistar o “direito” de cumprir a pena (injusta) em liberdade, foi abordado por policiais da UPP da Vila Cruzeiro que o prenderam novamente sob alegação de porte de drogas. Testemunhas afirmaram que ele foi agredido verbal e fisicamente, coagido, ameaçado e que as drogas foram plantadas pelos PM’s, mas a versão apresentada pelos agentes de segurança prevaleceu.

Complexo do Alemão, favela carioca, clima de guerra instalado: tiroteios diários e violação de direitos. Policiais invadem casas e “ocupam” lajes.

Esses dois casos aconteceram – estão acontecendo – na cidade do Rio de Janeiro, em menos de uma semana. Apesar de aparentemente sem relação, Renato Cinco lembrou em discurso no plenário da Câmara Municipal que as duas situações nada mais são do que consequência de uma política de segurança pública pautada na guerra às drogas – que, na verdade, serve apenas como disfarce para o extermínio da população pobre e negra.

Ambos os casos demonstram, de forma cruel, como a justiça e a polícia são instituições racistas, seletivas e que criminalizam, cotidianamente, a pobreza.

“Eu me inscrevi, hoje, para chamar atenção a esses dois fatos dessa semana, que estão correlacionados. Todos eles são produzidos por essa ideologia de guerra aos pobres, por essa ideologia de criminalização da pobreza, disfarçada de defesa da saúde pública, através da guerra às drogas.

Não existe guerra às drogas, porque não existe guerra contra coisas. As guerras são contra pessoas. No caso da guerra às drogas, ela é contra os jovens negros e pobres das favelas e das periferias do nosso País. Afinal de contas, alguém já viu algum banqueiro, branco e rico, no Brasil, ser condenado pela lavagem do dinheiro do tráfico de drogas?”, afirmou Cinco.

Assista o discurso na íntegra: