Milhares de manifestantes ocupam Brasília

Um mar de gente, de todos os cantos do país, fez Brasília ficar pequena nesta quarta-feira (24). Estudantes, servidores públicos, indígenas, sem terra, sem teto, moradores de favelas, mulheres, profissionais da educação em centenas de caravanas levaram mais de 150 mil militantes ao #OcupaBrasília para derrubar o governo ilegítimo de Michel Temer e pedir a convocação imediata de eleições diretas.

A ocupação, uma das maiores manifestações da capital do Brasil dos últimos anos, não escapou do aparato repressor do Estado. Tiros de balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas ameaçavam a integridade física de quem dizia não ao pacote de atrocidades do governo golpista e seus aliados.

Antes mesmo de todas as colunas do ato chegarem ao Congresso Nacional, a Esplanada dos Ministérios já havia virado uma praça de guerra. A ação truculenta e desproporcional da polícia militar do governo distrital deixou, no mínimo, 49 pessoas feridas. Entre as vítimas da repressão, alguns casos são de maior gravidade. Clementino Nascimento Neto, 35 anos, foi atingido por um tiro de bala de borracha do batalhão de choque no olho esquerdo e, segundo o médico que o atendeu, há risco de perda da visão. Isaias Junior Freitas Silva, 22 anos, militante do MTST de Goiás, levou um tiro no pescoço e precisou ser operado. Outro militante do MTST, Vitor Guimarães, 26 anos, teve ferimentos no rosto provocados por uma bomba. O jovem Vitor Rodrigues Fregulia, 21 anos, teve sua mão dilacerada quando um dos artefatos explodiu. Um senhor, que foi não identificado até o momento, foi atingido por tiro de arma de fogo que atravessou o seu pescoço Ele está internado e seu quadro clínico é grave. A cena foi registrada e o vídeo ganhou notoriedade internacional.

A violência que tirou uma parte dos manifestantes do combate não bastou para calar a marcha. O coro “Fora Temer” era a resposta unitária aos ataques. A coragem das milhares de pessoas que resistiam incomodou o governo golpista. Temer autorizou o uso das Forças Armadas para controlar as manifestações populares até o dia 31, em nome Garantia da Lei e da Ordem. O decreto de Temer assemelha-se aos artifícios de outros tempos. Foi em nome da lei e da ordem que milhares foram torturados durante os 21 anos de ditadura civil militar.

Apesar da forte repressão, a manifestação já é vitoriosa. As críticas da oposição e a pressão popular fizeram Michel Temer (PMDB) recuar e revogar – no dia seguinte de sua publicação – o decreto que dava poderes às tropas das Forças Armadas. Novas mobilizações devem ocorrer pelo país até que o governo ilegítimo seja derrotado definitivamente.

No Rio de Janeiro, a quarta-feira também foi violenta. Com 39 votos favoráveis e 26 votos contrários, a ALERJ aprovou o projeto que reajusta a contribuição previdenciária de 11 para 14%. Servidores estaduais que protestavam contra o aumento da contribuição foram duramente reprimidos pela polícia.

Nenhuma trégua aos inimigos do povo

Em discurso no plenário da Câmara, nesta quinta-feira (25), o vereador Renato Cinco criticou a postura da imprensa brasileira que, mesmo com o assassinato de 10 trabalhadores rurais no Pará, preferiu dar destaque às vitrines quebradas durante a manifestação em Brasília – que foi reprimida, inclusive, com armas de fogo. A grande mídia, aliada ao grande capital, ignora a insatisfação popular com o governo Temer e segue disposta a impor a qualquer custo as reformas que atacam os direitos do povo brasileiro.

“Enquanto não dermos um basta nesse governo ilegítimo e antipovo de Michel Temer, vamos continuar a ver as conquistas democráticas sendo estraçalhadas uma a uma pela polícia e pelo Governo. Ontem, 10 trabalhadores rurais foram assassinados no Pará. Ao mesmo tempo, no mesmo dia, massacre dos servidores públicos, mais uma vez, sendo reprimidos pela polícia do ‘desgovernador’ Pezão. E também vimos a repressão à manifestação em Brasília. E, claro, a Rede Globo de televisão – diário oficial do poder, diário oficial daqueles que tratam o Brasil como fosse sua propriedade, óbvio que a Rede Globo de televisão acompanhada pelas outras emissoras de TV contaram mais uma vez a versão de que vândalos promoveram a baderna em Brasília e a polícia apenas reagiu”, afirmou Cinco.

Assista o discurso na íntegra: