Preservação do Estádio Moça Bonita

O mandato de Renato Cinco apresentou, em parceria com o vereador Tarcísio Motta, um Projeto de Lei que reconhece como de interesse histórico, cultural, desportivo e social o Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, também conhecido como Moça Bonita.

A história do Bangu Atlético Clube se confunde com a história da construção dos subúrbios cariocas. Ela se inicia com a fundação da Fábrica de Tecidos Bangu, instalada no final do século XIX em uma região até então rural. Junto com a fábrica veio a urbanização da região para o recebimento dos trabalhadores. Parte desses era proveniente do Reino Unido, de onde também veio parte da maquinaria industrial. Os operários britânicos trouxeram consigo não apenas a qualificação técnica como também a paixão pelo futebol e as tradições do sindicalismo e das lutas sociais.

Na esfera desportiva, no início do século XX, o futebol começou a ser jogado entre operários estrangeiros e locais. Há inclusive quem defenda que foi em Bangu que ocorreu a primeira partida de futebol no Brasil. Em 17 de abril de 1904, foi fundado o “Bangu Athletic Club”, formado por operários e dirigentes fabris. Inicialmente, o time jogava em um campo ao lado da fábrica, que foi inaugurado em 1906.

Finalmente, em 1947, o Bangu pode contar com um estádio, o Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho. Ao longo de sua história, foram conquistados vários títulos, com destaque para os campeonatos estaduais de 1933 e 1960.

No campo político, o Bangu foi importante na luta contra o racismo. Em 1905 o time contava com um jogador negro, o operário Francisco Carregal. Há polêmica se esse tecelão teria sido o primeiro jogador negro ou um dos primeiros, mas sem dúvida foi um dos pioneiros que ajudou um esporte, até então aristocrático, se tornar uma prática dos populares. Em 1907, quando a Liga Metropolitana de Football proibiu a participação dos negros, o Bangu preferiu se retirar do campeonato. Com o fim da proibição, o Bangu voltou a atuar, chegando a vencer a segunda divisão com quatro negros e seis operários no seu time.

Na esfera das lutas sociais, os operários da Fábrica de Tecidos Bangu tiveram bastante protagonismo, em especial durante a República Velha. Destaca-se o envolvimento na greve de 1903, que foi um marco de início das agitações que marcaram todo o período.

O Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho é hoje a testemunha arquitetônica de toda essa história. Reconhecer a sua importância é valorizar a luta contra o racismo, as lutas por direitos, a construção de um bairro e a identidade do subúrbio carioca. Ao aprovar essa lei, a Câmara carioca fará uma singela homenagem a um tradicional time de futebol carioca e a um bairro popular que tão pouca atenção recebe do poder público.