Cantagalo e Pavão-Pavãozinho pedem paz

A fracassada política de guerra às drogas segue ceifando vidas no Rio de Janeiro. Para agravar ainda mais este problema, o governo Pezão (PMDB) restabeleceu um modelo de segurança pública baseado em operações policiais com propósito pouco objetivo. Geralmente essas ações repressivas resultam em mortes (inclusive de pessoas sem relação com a polícia ou com o tráfico) e apreensões insignificantes de drogas.

Na última quarta-feira (28), moradores das comunidades Cantagalo e Pavão-Pavãozinho sofreram com horas de tiroteio. A operação resultou na morte do porteiro Fábio Franco de Alcântara, de 39 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas.

Antes do início do tiroteio estava planejada uma manifestação em defesa da paz nas duas comunidades, mas o ato foi cancelado por conta da operação policial. Moradores que procuraram nosso mandato afirmaram que a ação da polícia ocorreu justamente para desmobilizar o protesto, que tinha como pauta uma abordagem que não seja a do confronto.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco fez a leitura de algumas reivindicações dos moradores dos Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, que não aguentam mais a rotina de confrontos motivados pela guerra às drogas.

“É muito grave que tenhamos uma política de confronto permanente e que o Estado trate parte do nosso território como zona de guerra, onde o conflito inevitável justifica danos colaterais. Agora, mais grave ainda é se essa operação, esse óbito e esses ferimentos tiverem ocorrido para inviabilizar o direito de manifestação dos moradores do Pavão-Pavãozinho”, declarou Cinco.

Apesar da segurança pública ser uma questão estadual, Renato Cinco defendeu que a Câmara Municipal entre no debate sobre a eficácia das operações policiais, que diariamente vêm afetando o funcionamento de diversas unidades da rede municipal de educação.

Veja a íntegra do discurso: