Quadrilha de PMs de São Gonçalo prendia usuários como traficantes

A investigação que levou ao pedido de prisão de 96 policiais do batalhão de São Gonçalo (7º BPM) evidenciou uma história covarde dos PMs que atuavam como sócios do tráfico de drogas na cidade. Foram interceptadas ligações telefônicas que revelam acordos de recebimento de propina, venda de armas para traficantes de comunidades de São Gonçalo e apreensões pré-combinadas para justificar o “sucesso” das operações policiais.

E para não prender os traficantes que realizavam negócios rotineiros com os criminosos de farda, os agentes prenderam usuários de drogas, que eram apresentados na delegacia como traficantes. O objetivo alegado era bater a meta de prisões do batalhão.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco cobrou a imediata reabertura de todos os processos com participação dos policiais denunciados e criticou a farsa da política de guerra às drogas.

“O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro precisa rever todas as condenações por tráfico de drogas oriundas de processos em que esses policiais testemunharam contra os condenados. Nenhuma pessoa condenada por iniciativa desses policiais afastados do 7º Batalhão pode continuar presa sem que haja revisão do seu processo”, declarou Cinco.

Veja a íntegra do discurso:

Outro detalhe importante desta operação diz respeito à patente dos policiais presos. Dos 96 acusados, nenhum é oficial da PM. “Não é possível que um esquema de corrupção tão grande dentro de um batalhão ocorra sem o conhecimento e a conivência também de oficiais. Falta aparecerem os tenentes, capitães, majores e coronéis envolvidos nesse esquema do 7º batalhão,” comentou Cinco.