Vereadores governistas dão golpe na CPI dos ônibus

Na semana passada, no calor de denúncias sobre a máfia dos transportes, a bancada do PSOL conseguiu as 17 assinaturas necessárias para requerer a instalação de uma CPI dos Ônibus. Porém, depois de protocolado o pedido, 3 vereadores pediram a retirada de suas assinaturas, alegando falta de conhecimento do teor do texto. O presidente da Câmara, Jorge Fellipe (PMDB), deferiu a retirada da assinatura do vereador Luiz Carlos Ramos Filho (PODEMOS) e negou a retirada das assinaturas dos vereadores Eliseu Kessler (PSD) e Val do Ceasa (PEN), que assinaram todas as folhas do requerimento.

Em vídeo, o vereador Renato Cinco comentou sobre a relação de parceria entre empresários de ônibus e políticos, que afeta diretamente a qualidade e o preço do serviço. Cinco também falou sobre a CPI dos Ônibus.

Veja a íntegra do vídeo:

O vereador Eliseu Kessler (PSD) fez uso de uma manobra resguardada pelo regimento da Câmara, uma vez que todas as páginas precisam ser rubricadas. A tática adotada por Eliseu é antiga e já foi usada em outra ocasião.

A atitude de Kessler coincidiu com a indicação dele para a função de relator da CPI dos Ônibus proposta pelo vereador Alexandre Isquierdo (DEM). Pelo critério de proporcionalidade, os outros três vereadores que vão compor a CPI virão: um do bloco governista, um do PMDB e um do bloco DEM-PTB. O PSOL terá direito a indicar apenas o 1º suplente da comissão.

A bancada do PSOL não vai desistir da instalação de uma CPI sem conchavos políticos. Assim que o plenário da Câmara voltar do recesso, deve apresentar um novo requerimento.

O mandato do vereador Renato Cinco enviou há mais de três meses, ao Tribunal de Contas do Município, um pedido de inspeção extraordinária sobre os contratos entre a prefeitura e empresas de ônibus. Até agora não obteve resposta.

Partiu do mandato também a apresentação de dois Projetos de Lei. Um que regulamenta os futuros processos licitatórios, de modo que a prefeitura controle a venda de passagens e pague às empresas de acordo com a quilometragem rodada. E outro que institui o passe livre no transporte público carioca nos dias eleitorais, o que esvaziaria o curral promovido por alguns candidatos, que pagam passagens e outras benesses a eleitores.

Além das ações legislativas, fomos agraciados nesta semana com a informação de que o empresário preso Jacob Barata Filho já negocia uma possível delação premiada, que envolveria prefeitos e vereadores de todo estado do Rio.

Caso o preço das passagens acompanhasse a inflação desde 1994, o valor da tarifa seria de R$ 1,88. Um preço bem distante do atual. Para além do aumento abusivo, vimos ao longo dos anos a prefeitura acabar com a função de trocador, quase zerar a cobrança de ISS e ainda ir a público defender a não climatização de toda frota, uma demanda antiga da população.

A etapa Ponto Final da Força tarefa da Lava Jato é só o começo da abertura da caixa preta da Fetranspor.

Leia a íntegra da proposta de CPI dos Ônibus do PSOL