Intolerância religiosa é racismo!

A intolerância religiosa saiu do armário e atacou de forma covarde o espaço sagrado das religiões de matriz africana em diversas cidades da Região Metropolitana do Rio.
Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco falou sobre os ataques contra terreiros e também sobre a Marcha Contra a Intolerância Religiosa, que mobilizou cerca de 50 mil pessoas no último domingo, na praia de Copacabana.

Para Renato Cinco, os atos violentos contra o povo de Santo são reflexos do racismo que ainda persiste no país. “O que vimos não diz respeito só a questão religiosa, diz respeito ao racismo. O alvo principal são as religiões afro-brasileiras. O alvo é a religiosidade daqueles sobre os quais esse país foi construído. Nós não podemos nos esquecer que o Brasil é um país fundado sob a escravidão e sob a escravidão foi negada a humanidade de negras negros escravizados e descendentes”, destacou Cinco.

Veja aqui o discurso na íntegra

Contra a intolerância, a nossa resistência

No último domingo, a Praia de Copacabana foi tomada por milhares de manifestantes dos mais variados credos e também de gente que não reivindica religião alguma, todas e todos juntos na luta por respeito. “Os ateus têm que ter direito a não crença e também respeitar a crença de todos. Como ateu, sou defensor do estado laico, não o estado ateu. Nosso objetivo é que o estado preserve o direito de cada pessoa ter sua crença, sem benefício a nenhuma religião”, defendeu Cinco ao falar da Marcha Contra a Intolerância Religiosa.

A intolerância é praticada desde muito. Durante os períodos da Primeira República (1889-1930) e do Estado Novo (1930-1945), o código penal brasileiro vigente criminalizava a prática de religiões de matriz africana. Batidas policiais em templos religiosos, prisões e apreensões de artigos sagrados eram habituais.

Estes artigos estão até hoje armazenados no Museu da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em reserva técnica. Foram tombados pelo IPHAN em 1938 e denominados de “Coleção Magia Negra” – um patrimônio cultural tratado com um cruel desdém.

Visando uma reparação histórica, lideranças religiosas, movimento negro, pesquisadores e diversos ativistas pedem a transferência do acervo para outro museu e o adequado acesso, como memória e resistência de nossos ancestrais. Saiba mais sobre a Campanha #LiberteNossoSagrado