A favela ainda não conhece a democracia

A democracia em vigor no Brasil, conquistada no final dos anos 80, ainda não foi experimentada pelos moradores de favelas e periferias, em que a violência física e simbólica praticada por agentes do Estado ainda é a regra.

Com o pretexto de realizar o combate ao crime, o poder público promove um estado de exceção nas favelas. Neste contexto, a guerra às drogas cumpre um papel central na atuação opressora do Estado.

Afinal, tudo é pretexto quando se fala em combate ao tráfico: a utilização de tropas do Exército, a expedição de mandados de busca coletivos, que podem ser utilizados para todas as casas de uma comunidade etc.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco criticou a adoção de políticas de segurança que promovem a opressão da população mais pobre, que também sofre com a retirada de direitos sociais.

“Antes, o estado de exceção nas favelas se impunha pela força da ditadura militar, que tinha o discurso anticomunista como principal fundamento, e a necessidade de proteger o Brasil. Quando a ditadura militar retrocede, a democracia avança para os ricos e para a classe média, mas nas favelas e periferias ela é bloqueada. Qual é a justificativa para se manter esse estado de exceção permanente? O combate ao crime”, explicou Cinco.

Veja a íntegra do discurso: