Basta de remoções forçadas!

Se existe uma questão recorrente ao longo da história do Rio de Janeiro, tratada de forma semelhante pelos governos municipais com raras exceções, é a prática de remoções forçadas de bairros populares e favelas em nome de uma suposta ordem.

O ciclo de grandes eventos marcou um retrocesso nesta área, com milhares de pessoas removidas na gestão do PMDB. Pan-Americano, Copa do Mundo e Olimpíadas serviram para justificar uma série de intervenções arbitrárias, em linha com os interesses do mercado imobiliário.

O atual governo de Marcelo Crivella (PRB) pretende avançar ainda mais nas remoções. O plano estratégico “mais humano e solidário” prevê a intervenção em mais de 14 mil moradias no Maciço da Tijuca. Como se não bastasse, anunciou também a remoção da favela de Rio das Pedras, uma das maiores do Brasil, com pelo menos 70 mil pessoas.

“Crivella quer tirar as pessoas do local onde construíram laços de amizade, vizinhança e seu modo de viver. As leis municipais e federais são claras: para haver remoção tem que haver, em primeiro lugar, o debate com a comunidade; tem que se tentar esgotar as alternativas à remoção. Não havendo condições de se evitar a remoção, as pessoas tem que ser reassentadas no mesmo território. Não pode acontecer o que tem acontecido aqui no Rio, de remoções para 50Km da sua casa original”, afirmou Cinco em discurso no plenário.

Veja a íntegra do discurso:

Além de Rio das Pedras, outras comunidades estão sofrendo neste momento processos de remoção: Estrada de Maracajás e Rádio Sonda na Ilha do Governador; Horto Florestal, onde famílias históricas estão tendo que deixar suas casas sob o argumento de dano ao meio ambiente; em Araçatiba, Barra de Guaratiba, as ameaças são constantes e apenas uma liminar, que pode cair a qualquer momento, garante a permanência das famílias.

Nosso mandato acompanha, junto aos movimentos populares, as ações da prefeitura contra o direito à moradia adequada, somando forças à resistência.