Resistir contra Temer e os ataques às liberdades

Nos últimos meses diversos acontecimentos do mundo da política tem nos preocupado. Também nos preocupa o fato de que a ofensiva contra os direitos sociais promovida por Michel Temer (PMDB) e sua gangue caminha junto com ataques às liberdades democráticas da população brasileira.

O projeto defendido pelo governo ilegítimo é um grande projeto do capital para o Brasil e já representa o maior ataque aos direitos das trabalhadoras e trabalhadores em toda a nossa história: retrocessos nos direitos previdenciários da população, uma reforma trabalhista que entra em vigor a partir de 11 de novembro, a lei das terceirizações, enfim, uma série de medidas que atacam a classe trabalhadora.
Na Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco falou sobre o assunto, “nós não estamos na Europa Ocidental, não estamos Dinamarca, na Noruega ou na França exigindo sacrifícios de um povo relativamente privilegiado se comparado ao restante da população do planeta. Nós estamos vendo o governo federal exigindo sacrifícios de uma população que já é sacrificada”, afirmou.

O projeto de retirada de direitos da classe trabalhadora brasileira precisa vir, necessariamente, acompanhado de políticas que visem cercear as liberdades. Porque é inviável explorar ainda mais o nosso povo sem levar a um processo de fechamento do regime. “Não é uma ditadura escancarada, mas é fazer o Brasil ficar mais parecido com a Turquia ou com a Rússia, que tem eleições formais, uma democracia formal, mas são regimes extremamente fechados, onde fazer oposição é praticamente impossível”, lembrou o vereador.

Um exemplo recente é a tentativa de criminalização da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), que a polícia do Rio Grande do Sul acusa de promover ataques contra viaturas policiais, bancos, concessionárias de veículos, delegacias e sedes de partidos políticos.

Nós temos visto – a serviço do grande capital – a direita e órgãos do Estado desenvolverem estratégias de luta política às vezes disfarçada de outras coisas. Por exemplo, algo muito comum aos fascistas é o recurso ao discurso moral. No momento em que o Brasil enfrenta uma onda de ataque aos direitos sociais, um setor – especialmente ligado ao fundamentalismo religioso – parece querer levantar espantalhos. Nesse cenário de incertezas e cerceamento nem mesmo as crianças são poupadas. A infância brasileira é duramente ameaçada pela violência sexual, pelos ataques à saúde e à educação públicas.

“Mas os especialistas em desviar a atenção, querem fazer com que o povo acredite que as ameaças à infância no Brasil estão dentro dos museus, nas exposições artísticas”, lamentou Cinco.

Manipulações políticas encobertas pela defesa da moral não são uma novidade. A ascensão do regime nazista na Alemanha, por exemplo, passou pela denúncia da degeneração da arte alemã, uma denúncia moralista de que os problemas da sociedade alemã derivavam de questões morais. No Brasil, temos visto um movimento muito semelhante. Os casos de tentativa de censura de manifestações artísticas, a invasão de um seminário acadêmico na UERJ sobre o centenário da Revolução Russa e a tentativa de censurar uma palestra da intelectual defensora do feminismo e da pauta LGBT Judith Butler, causam espanto. Contra a realização do seminário com a estadunidense, um abaixo-assinado já conta com milhares de assinaturas.

Massacre

Os ataques indiretos e de ordem moral não são as únicas armas da reação conservadora no Brasil. Voltamos a conviver com ataques diretos e extremamente violentos às organizações populares e organizações de esquerda. O massacre de Sem Terras no Pará é um triste exemplo. O que não víamos acontecer desde o Governo FHC, meses depois da posse do Michel Temer, volta à cena.

Pequenas vitórias

Felizmente, há resistência e pequenas vitórias importantes. “Quando o povo brasileiro é escutado, normalmente as escolhas políticas são melhores do que quando a política é feita de cima pra baixo”, frisou Renato Cinco, ao parabenizar a população de Niterói que rechaçou, na última semana em plebiscito popular, a adoção de armamento letal pela guarda municipal. A opção pelo “não” recebeu 13.478 votos, contra 5.478 votos para o “sim”. Entre os votantes, 25 moradores votaram nulo e oito, em branco: “armar as guardas municipais do Brasil não vai ajudar a diminuir a violência, assim como não ajudou o caveirão, nem ajudou o fuzil, não ajudam as intervenções das forças armadas. Precisamos resistir aos ataques moralistas, aos ataques diretos às organizações de esquerda e movimentos sociais, contando sempre com a mobilização popular. As soluções fáceis do ódio e da arma não resolvem o problema do Brasil”, finalizou.