Marcha Popular do Clima 2017

Chamar a atenção da população do planeta para o fato de que as mudanças climáticas já são uma realidade é uma das tarefas da Marcha Popular pelo Clima desse ano. Por isso, no próximo dia 12 de novembro (domingo), organizações, movimentos sociais, entidades e pesquisadores que atuam em defesa do meio ambiente realizarão atos descentralizados em diversos países, com o objetivo de denunciar e dar visibilidade à preocupante crise climática global, que já afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Infelizmente, ainda não há uma concordância geral sobre as mudanças climáticas. Alguns, como o presidente norte americano Donald Trump, negam essas mudanças e alegam conspirações e invenções que tem como finalidade única prejudicar a economia. Apesar de algumas pessoas negarem essas transformações – os negacionistas do clima – e preferirem ignorar todas as evidências, os eventos climáticos recentes não deixam dúvidas.

Apenas esse ano, já pudemos presenciar ondas de calor afetando a Península Ibérica e provocando o maior incêndio da história de Portugal, ao mesmo tempo em que essa mesma onda de calor provocava temperaturas acima de cinquenta graus nos Estados Unidos; o aumento da velocidade de derretimento do gelo das calotas polares, tanto no Polo Norte como no Sul – no Sul, que derretia mais lentamente, houve a ruptura de um iceberg do tamanho do Distrito Federal que, segundo a previsão de cientistas, se desprenderia daqui a alguns anos; diversas enchentes e alagamentos atingindo vários locais de maneira inédita, como o sul da Ásia, a Índia, no continente Africano – especialmente em Serra Leoa, a grande tempestade que atingiu o Texas – a maior tempestade da história do estado; e, o mais recente, furacão Irma: maior furacão já registrado no Atlântico – com ventos de mais de 290 km/h, constantes, e rajadas de vento que ultrapassam 360 km/h – e que atingiu o Caribe (Cuba, Haiti, Porto Rico, República Dominicana, entre outros) e o Sudeste dos Estados Unidos (Flórida e Georgia).

Existem ainda aquelas pessoas que até acreditam nas mudanças, mas acham que isso é o problema das futuras gerações. Os eventos climáticos listados evidenciam que os efeitos das mudanças climáticas já estão aí e não podemos nos omitir diante dessa situação. É muito importante que toda sociedade se engaje na luta em defesa do meio ambiente e se empenhe na construção de medidas efetivas que possam conter, ao máximo possível, as mudanças climáticas. Cabe a nós, trabalhadoras e trabalhadores, setores oprimidos da sociedade (indígenas, negros, camponeses, quilombolas, caiçaras, mulheres, LGBTs, etc) – que seremos (e já somos) as principais vítimas dessas alterações climáticas – nos mobilizarmos para conceber e implementar novas maneiras de viver, ao mesmo tempo que exigimos medidas efetivas para a promoção de uma vida digna em ambientes saudáveis e adequados, que é um direito de todos e todas.

Além de buscar soluções, a luta para que as populações atingidas sejam socorridas é fundamental e se faz urgente. Denunciar as desigualdades existentes em nosso planeta, que trazem consigo as marcas da e do racismo injustiça socioambiental, é também um dos objetivos da Marcha Popular do Clima desse ano. Nossa cidade e estado são ótimos exemplos de como isso acontece: na decisão de onde se colocam as fábricas, como a TKCSA em Santa Cruz por exemplo, a escolha é sempre por lugares onde vive a população mais pobre. Quando acontecem as tragédias decorrentes das alterações climáticas – alagamentos, grandes chuvas, furacões – não vemos a mídia dar a mesma cobertura quando os pobres atingidos são e quando os ricos são atingidos.

Aqui no Rio, a Marcha Popular do Clima será no dia 12 de novembro – acompanhando as mobilizações em todo o mundo -, em Copacabana (posto 6), a partir das 10h30. Até lá!

Evento no facebook