Dias de luta: resistência ambientalista e feminista no Rio de Janeiro

Os últimos dias foram intensos na cidade do Rio de Janeiro. A semana começou com a Marcha Popular Pelo Clima e seguiu com a manifestação contra as remoções e pelo direito à moradia e a passeata feminista que levou 10 mil pessoas às ruas na segunda-feira (13).

O vereador Renato Cinco foi à Marcha, que movimentou a Praia de Copacabana na manhã domingo, e falou sobre a importância do ato organizado em diversas cidades do mundo por militantes ambientalistas.

“Muitas pessoas ainda não se convenceram de que estamos vivenciando um preâmbulo de um colapso ambiental de nosso planeta. Quando a gente fala de mudanças climáticas e aquecimento global, a gente fala apenas de um aspecto do problema. A questão ambiental hoje é grave, problemas de poluição de várias naturezas: contaminação de solos, rios e mares por metais pesados, plásticos, microplásticos, problemas que ameaçam a vida”, destacou Cinco.

Já o “Ato Unificado Contra as Remoções e Pelo Direito à Moradia” levou às ruas a indignação das populações das favelas cariocas, que não suportam mais conviver sob a ameaça diária de despejos. Devido às grandes obras e intervenções urbanas para a recepção de megaeventos esportivos, hoje, segundo dados da própria prefeitura, são mais de 20 mil famílias sob ameaça de remoção forçada em território urbano.

Moradores de diversas comunidades – Rio das Pedras, Maracajás, Rádio Sonda, Horto, Barrinha, Morro da Coroa, Manguinhos, Cidade de Deus, Vila União de Curicica, Vila Autódromo, da Fome, Indiana, Tijuca, Borel, Vidigal, Rocinha, Araçatiba, Novo Palmares, Caeté, Taboinhas, Comunidade do Trinta – participaram da marcha, que foi da Cidade de Deus até a casa do prefeito Crivella, no condomínio Península.

“Se o Crivella insistir muito, vocês é que vão remover o prefeito”, alertou Renato Cinco ao saudar a luta pelo direito à moradia durante a manifestação que mostrou a importância da união de várias favelas e comunidades cariocas para enfrentar a especulação imobiliária e lutar pelos seus territórios. Veja o discurso:

O secretário de ordem Pública do Rio de Janeiro, Coronel Paulo Amendola, acompanhou o ato e assegurou publicamente a convocação de uma reunião entre prefeitura e comissão de moradores.

Mulheres dizem não à PEC 181

Outra importante mobilização encerrou a segunda-feira (13). Cerca de 10 mil pessoas reuniram-se na Cinelândia para protestar contra a PEC 181 (Cavalo de Troia), que põe em risco o direito ao aborto já previsto na legislação brasileira, como nos casos de gravidez decorrente de estupro, risco de vida da mulher gestante e anencefalia.

A mobilização no Rio fez parte do calendário de lutas das mulheres, que teve repercussão em mais de 30 cidades brasileiras. Os atos são uma resposta à decisão de uma comissão especial da Câmara dos Deputados que aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2015. A PEC foi batizada de “Cavalo de Troia” por conter um grave retrocesso: ela determina que “a vida começa desde a concepção”.

A defesa da inviolabilidade da vida desde a fase embrionária, na prática, pode significar dificultar e proibir a interrupção de gravidez mesmo nos casos previstos em lei (quando a gestação é decorrente de um estupro; ou quando o feto não tem possibilidade de sobrevida após o parto; ou ainda quando a gestação representa risco à vida da mulher).
Em um país em que 1 em cada 5 mulheres, com 40 anos em média, já realizou pelo menos um aborto e que mais de 135 estupros são registrados por dia, uma comissão formada por 19 pessoas – com apenas 1 mulher (contrária à proposta) -, decide criminalizar o aborto.

O parecer do relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2015, deputado Tadeu Mudalen (DEM-SP), que altera dois artigos da Constituição, segue para plenário, onde precisa de 308 votos, em duas sessões, para seguir para o Senado.

NÃO À REPRESSÃO

Durante a manifestação organizada por diversas militantes feministas, houve um episódio lamentável provocado pela Polícia Militar, que de maneira covarde e desnecessária reprimiu a manifestação com bombas de gás lacrimogêneo. A Frente Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto/ RJ lançou uma nota sobre a violência policial contra mulheres, crianças e gestantes durante o Ato Todas Contra 18. A Frente também solicita uma investigação do Ministério Público para apurar a atuação da Polícia Militar.

“No dia 28/11 retornaremos as ruas pelos nossos direitos e pelo fim da violência contra as mulheres, junto com outros movimentos e organizações, não abrimos mão do nosso direito de manifestação e de trazer nossas/os filhas/os para ocupar as ruas junto conosco. A rua é nosso lugar de luta e dela não sairemos”, afirma a nota.

Leia a íntegra do documento