Congresso do PSOL será neste final de semana

Nos dias 2 e 3 de dezembro acontecerá o 6º Congresso Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Será um momento importante para pensar a situação do país, os desafios da esquerda e a organização do partido.

Uma decisão importante será sobre as alternativas para o processo eleitoral de 2018. Diversos setores lançaram a pré-candidatura de Plinio de Arruda Sampaio Júnior para a Presidência da República, conclamando os/as militantes do PSOL a lutar pela unidade da esquerda socialista em torno de uma alternativa radical para o Brasil. O vereador Renato Cinco manifestou seu apoio a Plinio.

Veja a declaração de apoio do Cinco:

Leia o manifesto de lançamento da pré-candidatura de Plinio:

É tempo de ser exigente! Plínio presidente!

A guerra aberta da burguesia contra os trabalhadores coloca o PSOL numa encruzilhada histórica. Após treze anos de existência, o partido tem de decidir se será apenas uma legenda eleitoral ou se terá coragem de disputar a consciência e os corações dos/as trabalhadores/as e colocar na ordem do dia a urgência da superação das relações sociais, políticas e culturais responsáveis pelas mazelas do povo, pelo machismo, pelo racismo, pela LGBTfobia e pela destruição da natureza.

A eleição é um momento importante de diálogo com os/as trabalhadores/as. A burguesia não perde tempo e procura por todos os meios enquadrar o debate nacional na agenda reacionária do ajuste econômico que vem sendo aplicado pelo governo de Michel Temer/Henrique Meirelles. Em nome dos imperativos dos negócios, coloca o rebaixamento progressivo das condições de vida das classes subalternas e o fim das liberdades democráticas como única solução para a grave crise que abala a vida nacional. A PEC 55 (que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais), a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização, a Reforma da Previdência e os ataques aos direitos reprodutivos das mulheres e da população LGBT, são algumas das medidas em curso que fazem parte dessa agenda.

Para que nós não fiquemos condenados às escolhas da agenda reacionária, que se circunscreve à discussão do ritmo e da intensidade do ataque contra o povo, a esquerda socialista precisa entrar em campo. O tempo urge! Não podemos mais permanecer sem um/a candidato/a!

Sob o risco de ser tragado pela crise política e moral que soterra o sistema político corrupto brasileiro e de ser confundido como linha auxiliar do PT, o PSOL está obrigado a apresentar-se na eleição de 2018 com personalidade própria. A grave crise econômica, social, política, moral e ecológica em curso não pode ser dissociada da estratégia catastrófica do PT na Presidência da República. Ao trair os anseios populares de que a esperança venceria o medo, os governos de Lula e Dilma reproduziram as relações sociais e políticas responsáveis pela perpetuação da segregação social, da dependência externa e da destruição ambiental, o que fortaleceu o capitalismo brasileiro e abriu caminho para sua ofensiva atual.

Em resposta à ofensiva do capital, os trabalhadores e trabalhadoras, com seus métodos de luta, entram em cena. O maior exemplo foi a jornada de luta do primeiro semestre, que culminou com a greve geral do dia 28 de abril e a Marcha a Brasília com 150 mil pessoas. E os novos processos das lutas em curso demonstram que a força das bases tectônicas segue se movimentando. Neste cenário foi marcada pelas centrais sindicais um dia de greve geral em 05 de dezembro. Uma oportunidade que a classe deve tomar em suas mãos para retomar a luta unitária contra o ajuste econômico em curso.

O desafio do PSOL é definir uma agenda, um programa e um candidato inequivocamente comprometido com uma alternativa socialista ao ajuste neoliberal e uma radicalização da democracia diante da crise da Nova República. Ao contrário do que ocorre nos partidos burgueses, imersos no cretinismo parlamentar, tais definições não podem ficar nas mãos de uma oligarquia dirigente. Os militantes do partido não abrem mão de debater política e de dirigir os destinos do partido. A definição do conteúdo e da forma da candidatura à Presidência da República em 2018 deve ser adotada em fóruns democráticos, amplos, capazes de debater os problemas fundamentais dos/as trabalhadores/as e suas possíveis soluções. A agenda e o programa que apresentaremos à população brasileira devem ser a síntese desse debate. Entretanto, temos a convicção de que os seguintes eixos devem servir de referência para tais formulações:

– Rejeitar tanto as alternativas reacionárias e conservadoras quanto as apresentadas pelo PT e pelos demais partidos que deram sustentação aos governos de Lula e de Dilma. O “menos pior” não nos contempla e apenas pavimenta o caminho de novas derrotas.

– Dar conteúdo político à agenda de transformação social levantada pela juventude que protagonizou as Jornadas de Junho de 2013 – “direitos já”;

– Tirar suas consequências práticas inescapáveis – “fim dos privilégios do capital e das desigualdades sociais”. Lutar pela revogação de todas as leis promulgadas pelo governo Temer e contra toda as amarras econômicas que servem aos interesses do capital, a começar por desmontar o Sistema da Dívida Pública, que desvia boa parte dos recursos públicos para o bolso dos mais ricos.

– Rejeitar o grande acordo nacional que envolve o executivo, legislativo e o STF, que tem o objetivo de salvar os corruptos e aplicar a agenda neoliberal, apostando na refundação da república com base no poder popular.

– Construir as condições necessárias para a formação de uma aliança política estratégica – que não pode se esgotar nas eleições de 2018 – com os partidos da esquerda socialista – PCB e PSTU –, bem como com os movimentos sociais combativos, que bravamente resistem ao avanço galopante da barbárie capitalista.

– Ser parte do apoio a todas as lutas e mobilizações em curso.

É dentro dessa perspectiva que diversos setores decidiram lançar a pré-candidatura de Plínio de Arruda Sampaio Jr. para a Presidência da República e conclamam os/as militantes do PSOL a lutar pela unidade da esquerda socialista em torno de uma alternativa radical para o Brasil.