As reformas de Temer e as desigualdades no Brasil

A Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, desenvolvida, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty, aponta que 27,8% da riqueza nacional está concentrada em poucas mãos. Segundo o estudo, divulgada pelo jornal “El País”, os milionários brasileiros estão à frente dos milionários do Oriente Médio (http://bit.ly/concentracaorendabr).

Enquanto isso, a campanha do governo em defesa da reforma da previdência diz que a medida combate  privilégios. Mas, os dados mostram que os ricos continuam lucrando muito e que a classe trabalhadora não tem sequer a certeza sobre o direito à aposentadoria.

Apesar do conjunto de ataques que a população brasileira sofreu, o Congresso Nacional não tem força para fazer passar a reforma previdenciária. Sem votos suficientes para colocá-la em votação, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou, nesta quinta-feira (14), que o projeto será analisado apenas no ano que vem. Uma vitória da mobilização popular contra o governo ilegítimo.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco (PSOL) comentou sobre o recuo do governo Temer e relembrou outras graves derrotas sofridas, como a aprovação da lei das terceirizações, que aliás, já foi aplicada pela Faculdade Estácio de Sá para demitir 1200 professores e recontratá-los como personalidade jurídica.

“Somos campeões mundiais da desigualdade. Queria mandar essa matéria (referindo-se à matéria do ‘El País’) para o Michel Temer, porque de repente ele encontra aqui a solução para a crise da previdência. Aliás, dizer que há déficit é uma mentira! A CPI da Previdência acabou de mostrar que não há déficit. Vários movimentos sociais, como a Auditoria da Dívida Pública, fazem essa denúncia há muito tempo. Mas, se houvesse, que tal solucionar fazendo com que o 1% dos mais ricos ficassem apenas com 10% da riqueza nacional. Não estaria bom não?”, ironizou Cinco.

Veja a íntegra do discurso: