Golpe na Câmara continua

Os trabalhos na Câmara Municipal do Rio estão longe de terminar neste fim de ano. Para fechar 2017, o orçamento precisa ser votado. Entretanto, no apagar das luzes, o governo enviou para a casa diversas propostas polêmicas. Diante do “pacote de maldades”, a bancada do PSOL prometeu pedir vistas dos projetos, postergando para 2018 as votações.

Para evitar a ação da oposição, o líder do governo se articulou e emendou um projeto de resolução, que já estava em tramitação, para reduzir o pedido de vistas para seis dias. A proposta inicial era de apenas três, mas a polêmica foi tanta que o líder do governo recuou.

O projeto foi votado na terça-feira (12), em sucessivas sessões extraordinárias, que entraram noite adentro.

O golpe parecia estar completo, não fosse a trapalhada da própria base do governo. Na quarta-feira (13), as comissões se reuniram para analisar o pacote, mas nem os vereadores que apoiam Crivella apareceram. Sem quórum, o “pacote de maldades” não pôde entrar na pauta de votação na quinta-feira (14).

Na sexta-feira (15), as comissões se reunirão novamente. Se houver quórum, a oposição poderá pedir vistas, com seis dias de prazo para a análise.

Sendo assim, as propostas irão para a pauta de votação no final da próxima semana, na sexta-feira (22). Como os projetos precisam passar por duas votações, os parlamentares provavelmente terão que voltar à Câmara logo após o natal para terminar de apreciar o “pacote de maldades”.

Ficam as perguntas: por que tamanha pressa? Por que, antes de aprovar esses projetos, a prefeitura não promove um amplo debate?

A presidente da comissão de finanças, Rosa Fernandes (PMDB), já avisou que não colocará o orçamento em votação até que este imbróglio seja resolvido.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco denunciou o golpe articulado pelo governo.

Veja a íntegra do discurso: