Demolições arbitrárias na Vila Kennedy

Moradores da Vila Kennedy, na Zona Oeste, foram surpreendidos no dia 9/3 com uma operação de ordenamento urbano, realizada pela Prefeitura, que derrubou 50 quiosques e barracas localizados na Praça Miami. Nada impediu a ação arbitrária dos agentes públicos: nem a resistência de comerciantes, que se arriscaram diante das máquinas na tentativa de salvar seus produtos; e nem a falta de respaldo legal que justificasse a ação.

Em discurso no plenário, Renato Cinco denunciou a iniciativa e chamou a atenção para a política de “tiro, porrada e bomba” reservada aos trabalhadores e população pobre da cidade que, dessa vez, é resultado da parceria firmada entre a Prefeitura e a Intervenção Militar. Antes desse pronunciamento, uma postagem foi feita em nossa página do Facebook sobre o tema e a Prefeitura, mesmo que ainda não tenha dado uma resposta oficial única e razoável, respondeu nos comentários com o seguinte texto: “Renato Cinco, foi determinado afastamento dos funcionários envolvidos na ação e imediata realocação dos trabalhadores, que hoje se reunirão com o prefeito. A ação foi solicitada pela Polícia Militar, pois havia denúncias de atividades criminosas, como venda de drogas e de carga roubada.”

As dúvidas permanecem: quer dizer que, por conta de denúncias não comprovadas, a Prefeitura obedece ordens da Polícia Militar – que responde a outra esfera governamental – para derrubar construções sem que haja o processo necessário para isso? Quem foram os responsáveis? Polícia Militar, Prefeitura, Secretaria de Ordem Pública, Exército? A resposta da Prefeitura é oferecer linha de crédito – e não indenização – e propor endividamento de trabalhadores pobres por algo em que eles foram vítimas?

“Acho que essa ação da Prefeitura, acompanhando a intervenção militar, é bastante simbólica do que se pretende de verdade, não do discurso que se faz. A resolução das mazelas sociais não virá junto com a intervenção porque enfrentar a desigualdade no nosso país significa enfrentar os mais altos privilégios da nossa república, que não estão colocados em questão. Não têm nenhuma política econômica, nenhuma agenda legislativa que demonstre que vá haver qualquer tipo de ataque aos privilégios em nome da mudança da desigualdade.

Então, isso é só tiro, porrada e bomba que chegará às favelas e periferias do Brasil pelas vias desse governo. E não é uma novidade. A Vila Kennedy, construída na década de 1960, fruto da política de remoções de favelas, já surge como vítima desse estado ‘demofóbico’ que, no caso da Cidade do Rio de Janeiro, sempre teve esse viés de construção de moradias populares longe da infraestrutura urbana, com aspecto até de campos de concentração. Era assim quando foi construída a Vila Kennedy; é assim quando se operaram as remoções de moradores de regiões interessantes para a especulação imobiliária, durante a Copa do Mundo e Olimpíadas, para conjuntos habitacionais do Minha Casa Minha Vida.

A gente tem Prefeito na cidade? Não sei. Pior que tem. A perversidade não é fruto da incompetência, é opção política”, afirmou Cinco.

Veja o discurso na íntegra: