Edson Luís, presente! Marielle, presente! Anderson, presente!

“Mataram um estudante, podia ser seu filho!”. Esse foi o grito que ecoou durante o cortejo que levou o corpo de Edson Luís até o Cemitério São João Batista, em Botafogo. Edson Luís de Souto Lima, morto aos 17 anos, nascido em Belém (PA), tinha um sonho: cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Filho de lavadeira, ele fazia bicos como faxineiro para sobreviver. Edson também lutava por direitos e estava organizado na Frente Unida dos Estudantes do Calabouço (FUEC).

A morte de Edson Luís, assassinado covardemente pela polícia militar dentro do Restaurante Universitário Calabouço, no Centro do Rio, foi um estopim: rompeu com o estigma imputado ao movimento estudantil – que se organizava contra o regime ditatorial – e levou cem mil às ruas do Rio de Janeiro e outros milhares de pessoas a saírem de casa em vários cantos do país para protestar.

Hoje, 50 anos após a sua morte, um ato unificado organizado por coletivos do movimento estudantil, movimentos de favela e movimento pela Memória, Verdade e Justiça ganhou as ruas para lembrar de Edson Luís e de outros crimes violentos que escancararam a farsa da democracia no Brasil, como os 8 mortos na Rocinha somente no último fim de semana e os 5 jovens executados em Maricá no domingo. Marielle Franco, vereadora pelo PSOL Carioca, e o motorista Anderson Gomes brutalmente executados na noite de 14 de março de 2018 também foram lembrados.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco declarou: “Neste 28 de março estou com os estudantes, chorando a morte de Edson Luís, de Marielle e todas as mortes políticas de nosso país”. Cinco afirmou ainda que somente a superação do capitalismo pode proporcionar a construção de uma verdadeira nação no nosso território. Do contrário, iremos transitar entre ditaduras explícitas (como a que iniciou com o golpe de 1964) e ditaduras disfarçadas.

Veja a íntegra do discurso:

Edson Luís, Marielle e Anderson presentes!

Dia de luta | Há 50 anos, em 28 de março de 1968, o estudante Edson Luís era assassinado pela ditadura militar. Superamos a ditadura escancarada, mas infelizmente chegamos em 2018 longe de realizar a conquistas sociais pautadas nos últimos 50 anos. O vereador Renato Cinco lamentou que os crimes com motivação política, como a execução da companheira Marielle Franco, seguem acontecendo com uma lamentável frequência. #EquipeCinco

Publicado por Renato Cinco em Quarta-feira, 28 de março de 2018

A luta estudantil dos tempos idos se cruza com as lutas e o luto do presente. Antes e agora há um grito contra a repressão, contra a truculência, contra as execuções que precisa ser ouvido: a luta dos que tombaram não foi em vão. Seguiremos, pois “quem grita vive contigo”.