Defender a legalização da maconha é crime?

Em um passado não muito distante, a mobilização pela Marcha da Maconha começava na luta pelo direito da manifestação acontecer. Em 2008, a defesa da legalização ainda sofria com a censura. As Marchas eram proibidas em todo país.

Em 21 de abril de 2008, Renato Cinco foi detido junto com os militantes Alessandra Brum, Flávio Ferreira, Raoni Ferreira e William Lantelme. Todos foram acusados de apologia por distribuir panfletos da Marcha da Maconha. Felizmente, o processo foi arquivado, mas o episódio precisa ser lembrado pelo absurdo da censura e a tentativa de silenciar o debate sobre a legalização.

Em 2011, o STF julgou ilegal qualquer tentativa de proibição das atividades abertas ou fechadas em defesa de mudanças na política de drogas. Antes, eram frequentes as decisões de juízes que proíbam a realização da Marcha da Maconha em diversas cidades. Normalmente a proibição acontecia faltando apenas um dia para a realização do ato, limitando a possibilidade de defesa dos organizadores.

Hoje, 10 anos após esta detenção, as Marchas da Maconha são realizadas em todo país com mais liberdade, mas a acusação de apologia ao crime ainda é usada com frequência por aqueles que buscam desqualificar o debate sobre a superação da proibição das drogas.

A maconha ainda não foi legalizada no Brasil. A proibição segue ceifando vidas. Por isso, em 2018, nossa luta continua nas ruas. A Marcha da Maconha do Rio de Janeiro vai rolar no dia 5 de maio, na Praia de Ipanema. A concentração terá início, às 14h20, no Jardim de Alah. A passeata em direção ao Arpoador começará às 16h20.