A pressa é inimiga da perfeição

Na terça-feira (24), aconteceu mais uma sessão da CPI da Ciclovia Tim Maia. O encontro contou com a participação do engenheiro Luiz Carneiro, Conselheiro do CREA, e dos peritos Telles Braga e Felipe Dias, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Em depoimento, Carneiro afirmou que o projeto não levou em conta a proximidade com o mar e enfatizou que a obra foi inaugurada às pressas.

“Naquela reta final de inauguração (próximo às Olimpíadas), o prefeito tinha pressa de inaugurar. Ele também inaugurou a Avenida das Américas (trecho do BRT) e está afundando lá em Guaratiba, ele tinha pressa de inaugurar”, declarou

O engenheiro disse que as obras de reparo foram efetuadas e que, após a avaliação e liberação da GEO-Rio, órgão auxiliar da Secretaria de Obras do Município, a ciclovia pode voltar a operar.

Luiz enfatizou, assim como os engenheiros da COPETTEC-UFRJ na reunião passada, que a via não é segura quando o mar está de ressaca, com ondas acima de 2,5 metros.

Os peritos foram evasivos. Já no início da sessão, disseram-se impossibilitados de falar, visto que só poderiam depor sobre o laudo criminal.

A CPI enviou ofício na última semana ao Instituto solicitando tal documento. O próprio Telles Braga passou toda a sessão lendo o laudo no celular, mas o documento não foi entregue.

Diante da situação, Renato Cinco – presidente da CPI – consultou os demais membros. Foi então deliberado oficiar a 15ª Delegacia de Polícia, responsável pelo inquérito criminal do acidente.

Depois de alguma insistência, os peritos leram a conclusão do laudo e afirmaram que o projeto básico foi diferente do projeto executado e que a obra não levou em consideração a força das ondas na base da plataforma.

“A causa da queda foi o não dimensionamento das ondas na plataforma. Não houve previsão das ondas ascendentes nem no projeto base e nem no projeto de execução”, disse Braga.

A esposa do engenheiro morto no acidente, a médica Eliane Tinoco, participou da reunião e questionou a falta de expertise da empresa executora da obra.

Além do documento requerido à 15ª Delegacia de Polícia, os membros da CPI aprovaram a solicitação dos projetos de base da obra à Prefeitura e dos relatórios da Concremat, executora da obra. A empresa terá que fornecer tanto o laudo de execução quanto a vistoria pós-desabamento.

A próxima sessão da CPI da Ciclovia Tim Maia acontecerá na quarta-feira (02), às 13h, na Sala das Comissões da Câmara Municipal.

Evento no facebook