Um somatório de erros

A sessão passada da CPI da Ciclovia Tim Maia ouviu os engenheiros civis Alexandre Landesmann e Gilberto Ellwanger, da COPPETEC-UFRJ, e o ex-conselheiro do CREA Antônio Eulálio Pedrosa.

Em primeiro lugar, foram ouvidos os engenheiros da UFRJ, única instituição a realizar uma vistoria formal na parte da obra que desmoronou.

O relatório elaborado previa que toda a via deveria ser avaliada, mas nem Eduardo Paes, responsável pela construção, e nem Marcelo Crivella toparam pagar os custos da vistoria.

Nos depoimentos, Landesmann e Elwanger afirmaram que o projeto foi insuficiente e não considerou a força das ondas de baixo para cima.

“A Gruta da Imprensa criou uma condição peculiar. Uma onda impulsionou a outra aprisionada na fenda. Teria sido uma terceira onda que propulsou as demais”, declarou Gilberto.

Os engenheiros afirmaram que, mesmo que o tabuleiro estivesse amarrado, a estrutura como um todo teria caído, porque o projeto não previa ondas com aquela força.

Landesmann e Ellwanger disseram ainda que a verificação de outra empresa poderia ter detectado as falhas da obra, que já apresenta sinais de desgaste.

“Verificamos algumas patologias, como corrosão e trincamentos nos trechos adjacentes. Elas tiveram início prematuro, reduzem a vida útil da obra e demandam mais manutenção, mas não foram responsáveis pelo colapso”, afirmou Landesmann.

Apesar da sucessão de erros, os representantes da COPPE afirmaram que, se forem cumpridas as recomendações que estão no relatório da instituição, a via tem condições de operar, salvo em casos de ressaca marítima.

Já o engenheiro Antônio Eulália Pedrosa iniciou a sua fala dizendo-se um profissional independente. E declarou que houve falhas na concepção do projeto, na construção e na fiscalização. Um somatório de erros.

Pedrosa acrescentou que a via não tem uma vida útil longa e alertou para o fato de a base da fundação estar inclinada.

Para ele, é importante fazer batimetria (medição da profundidade) ao longo de toda a via.

“Não se conhece o perfil da rocha e do fundo do mar”, disse Antônio.

O engenheiro afirmou em vários momentos que toda obra pública deve ser certificada e que qualquer trabalho de engenharia civil deveria ser obrigado a entregar pendrive com o projeto executado, para o arquivamento do poder público.

Para Pedrosa, a solução seria as seguradoras contratarem a construtora, como já acontece em outros países.

“A seguradora não vai querer correr riscos”, afirmou.

A próxima reunião da CPI acontecerá na terça-feira (08), às 13h, na Sala das Comissões da Câmara Municipal. A Comissão pretende dar início à segunda etapa de seus trabalhos, escutando os responsáveis pela obra.

Foram convidadas a GEO-Rio, as empreiteiras responsáveis pela construção da via, a Coordenadoria Geral de Obras do Município e a Seconserma.

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