Ética quando convém

Na terça-feira (29), a CPI da Ciclovia Tim Maia ouviu os representantes do consórcio executor da obra, Contemat-Concrejato. O advogado e diretor jurídico do consórcio, Alexandre Costa Cabral, e o engenheiro civil e diretor de obras, Felipe Menezes, foram acompanhados da advogada Carla Maggi. Já no início da audiência, Maggi pediu a palavra e disse que possivelmente seus clientes não poderiam responder todas as perguntas, por não terem participado diretamente da construção.

Mesmo quando perguntados sobre o acidente que vitimou duas pessoas, os depoentes insistiram que “o projeto executivo respeitou o projeto base e que não houve erros”.

Alexandre Cabral disse que a obra, após a queda, passou por verificações realizadas por terceiros e insistiu que foi constatado o respeito às técnicas vigentes.

Diante do questionamento sobre a certificação do projeto, a advogada disse que a empresa não o fez, por não considerar ético que ela mesma contratasse uma vistoria.

Apesar da autoproclamação de moralidade, nenhum dos depoentes soube responder sobre ética quando confrontados com doações de campanha milionárias para o grupo político que governou o Rio de Janeiro nos últimos anos.Felipe afirmou que o consórcio não tem experiência em obras costeiras, quesito exigido no primeiro edital, mas modificado ao longo do processo licitatório. E negou pressa na realização da construção.

Os interrogados confirmaram que parte da obra foi terceirizada para as empresas Premag e Engemolde e que todo o processo de fiscalização foi feito pela Geo-Rio.

Quando questionados sobre o atual estado da pista, que apresenta fissuras e rachaduras, Felipe afirmou que os reparos apontados pela Geo-Rio não se referem à estrutura da ciclovia e disse que a obra não corre risco de novas quedas.

“O consórcio entende que a reconstrução foi feita conforme o projeto executivo e que foi observado o protocolo de uso estabelecido. A ciclovia é segura”, declarou.

Durante a sessão, foi aprovada a próxima reunião da comissão, que acontecerá na terça-feira (05), às 13h, na Sala das Comissões. Está confirmada a participação de representantes da Cedae. Inea e Iphan também foram convidados, mas ainda não deram resposta. Foram aprovados ainda uma vistoria técnica, no dia 12 de junho, a partir das 10h, e uma audiência pública no mês de junho.

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Relação das doações de campanha:

Contemat/Concrejato, 2010 – Eduardo Paes, R$ 250 mil
Contemat/Concrejato, 2010; Concremat, 2014 – Luiz Paulo, R$ 15 mil
Concremat, 2014 – Tiago Mohamed, R$ 200 mil
Concremat, 2014 – Carlos Osório, R$ 30 mil
Contemat/Concrejato, 2014 – Pezão, R$ 1 milhão