FORA CRIVELLA!

Desde o início da gestão do bispo Marcelo Crivella, diversas denúncias de utilização da estrutura da prefeitura em benefício de igrejas, em especial da Igreja Universal do Reino de Deus, têm surgido. A situação se agravou com o escandaloso evento intitulado “Café da Comunhão”, que aconteceu no Palácio da Cidade. Reunido com 250 pastores da Universal, o prefeito prometeu 15 mil cirurgias – o “mutirão da catarata” – e a isenção de IPTU para os templos religiosos.

Diante da denúncia a oposição na Câmara conseguiu suspender o recesso e abrir sessão extraordinária para a votação de dois pedidos de impeachment do prefeito Marcelo Crivella. Um dos pedidos foi protocolado pela presidente municipal do PSOL Isabel Lessa e o Deputado Estadual Marcelo Freixo. A votação foi tumultuada e por 29 votos a 16 o prefeito se livrou da abertura de investigação.

Apesar da vitória, o poder de Crivella foi esvaziado e hoje o homem forte na prefeitura do Rio é Paulo Messina, já apelidado de “Primeiro Ministro”. Nesta semana, da Câmara, o vereador Renato Cinco lançou um novo termo para definir a situação do atual governo: o “Messinato”. “A prefeitura de Marcelo Crivella acabou no dia 12 de julho, no dia que se votou o impeachment. A partir daquele dia instalou-se o “Messinato”, o governo do Paulo Messina. A característica desse governo é ter um prefeito absolutamente nas cordas, que precisa atender às demandas, republicanas, ou pouco republicanas dos vereadores liderados por Paulo Messina.”

Veja o discurso na íntegra:

O governo de Crivella não tem nenhuma viabilidade política. Ele não foi eleito pela maioria do povo que vive no Rio e perdeu respaldo de muitos dos que o elegeram. Hoje o exercício do governo está nas mãos de uma pessoa que não foi eleita para isso. Da tribuna da Câmara Renato Cinco disse não gostar do instrumento do impeachment e preferir a chamada revogabilidade dos mandatos, uma ferramenta não prevista na Constituição brasileira.

“O ideal neste momento para solucionar essa grave crise política e econômica seria que a população tivesse essa alternativa, que o povo tivesse o poder de organizar um abaixo assinado e que pudesse convocar um referendo. A cidade não pode ser governada por uma maioria parlamentar fisiológica, com um primeiro ministro não nomeado. O povo não elegeu Paulo Messina”, destacou Cinco.

Embora o pedido de impeachment tenha sido rejeitado na Câmara Municipal, dois requerimentos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) conseguiram o número mínimo de assinaturas e as CPI’s devem ser instaladas nos próximos dias. Uma delas tratará do Sistema de Regulação (Sisreg), utilizado para organizar procedimentos médicos e hospitalares no município e a outra, apelidada de CPI da Márcia, deve investigar a reunião secreta do prefeito com pastores.

O bispo licenciado – que ignora esta licença e tenta evangelizar a cidade – se elegeu prometendo “cuidar das pessoas”, mas em um ano e meio de gestão, já deu sinais de que seus objetivos são outros. Troca de favores, nepotismo e ataques aos direitos do povo fazem parte da lista de crivelladas.

A tentativa de desmantelar o carnaval, a negligência com a população mais pobre que sofreu com chuvas e alagamentos no começo de 2018, o descaso e fechamento unidades básicas de saúde (como clínicas da família e UPAs), a perseguição a ações como a Parada LGBT e eventos ligados à cultura e religião de matriz africana (como o fechamento do Jongo da Serrinha) e, mais recentemente, a aprovação da Reforma da Previdência, que taxa ainda mais as pessoas aposentadas, são alguns dos ataques que sofremos.

Seguiremos atentos e não vamos deixar de denunciar qualquer arbitrariedade da prefeitura. Lutar contra a política de Crivella é parte da luta por outra cidade. O Rio é laico!