CPI da Ciclovia Tim Maia será retomada

A CPI da Ciclovia Tim Maia deve retomar os trabalhos no mês de agosto. Os membros irão pedir que a Comissão seja prorrogada por mais 60 dias. A extensão do prazo, depende de aprovação em plenário, mas os vereadores que participam da CPI não deverão ter problemas em aprovar o requerimento. A próxima reunião deve acontecer na terça-feira, dia 21 de agosto. O encontro será a partir das 13h, na Sala das Comissões na Câmara de Vereadores.

Os membros da CPI também já articulam os depoimentos dos secretários do então governo de Eduardo Paes, prefeito responsável pela construção da via. Os ouvidos devem ser: o ex-secretário do Meio Ambiente Carlos Alberto Muniz e o ex-Secretário de Obras, Alexandre Pinto de Souza, este último investigado na Operação Lava Jato.

A CPI da Ciclovia Tim Maia começou no mês de abril, mês seguinte à segunda queda da via. Os membros que compõe a Comissão já ouviram representantes das empresas construtoras, os responsáveis pela fiscalização da obra – antes e após a queda e ainda os órgãos de investigação.

A primeira queda resultou na morte de duas pessoas, do gari comunitário Ronaldo Severino da Silva de 60 anos e engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque de 54 anos. A ciclovia custou 44 milhões de reais aos cofres públicos e caiu poucos meses após inaugurada.

Após alguns meses da Comissão Parlamentar de Inquérito que visa apurar os sucessivos desmoronamentos da Ciclovia Tim Maia, já é possível chegar a algumas conclusões.

A primeira é de que não houve Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) para a construção da via. A ausência de EIA/Rima foi uma deliberação da própria prefeitura e das empresas contratadas. Em consequência, foi descartada a exigência de Audiências Públicas para a construção da Via.

Os encontros públicos poderiam ter salvado as vidas perdidas. Isso porque também já foi possível concluir que os construtores da ciclovia não previram a ação de ondas ascendentes, fator que derrubou as prateleiras da via e jogou os passantes no mar revolto.

Um erro primário, já que alguns dos depoentes falaram ser público e notório, pelo menos entre a comunidade de engenharia do Rio, de que o trecho desmoronado era um local problemático nos dias de ressaca. O engenheiro da CEDAE lembrou em depoimento, que a tubulação de via passa aterrada naquela localidade, exatamente pela constante ação violenta do mar.

Outro fator revelado na CPI foi o de que mesmo após a reforma, nos dias de ressaca a via tem que ser fechada ao público, com a presença de agentes municipais para garantir a interdição. Ainda que o trecho vulnerável tenha sido completamente reforçado, ciclistas e pedestres poderiam ser arrastados pelas ondas fortes.

Além das oitivas, vereadores também foram à ciclovia e realizaram uma vistoria no local com engenheiros do Crea-Rio. Foi realizada também uma audiência pública sobre a Ciclovia Tim Maia.

A CPI não tem um caráter punitivo e sim a intenção de saber o melhor a fazer com aquela via. A Ciclovia Tim Maia deve ser reaberta, ou seria um risco para quem passa por lá?

Seguiremos mais dois meses com esse trabalho e esperamos contribuir para a cidade, para a mobilidade urbana e principalmente para as pessoas que aqui vivem.