Desde que assumiu a prefeitura, Crivella vem atacando o orçamento da Saúde

Em 2017, no orçamento elaborado ainda pela gestão Eduardo Paes, a Saúde tinha uma previsão orçamentária de cerca de R$ 5.5 bilhões (quase 20% do orçamento total de aproximadamente R$ 29.5 bi da prefeitura). Com a queda na arrecadação (fechou o ano com pouco mais de R$ 25 bi, num déficit superior a R$ 4.3 bi), a prefeitura contingenciou cerca de R$450 milhões da Saúde.

Em 2018, o governo Crivella já foi responsável pela previsão orçamentária e estimou uma arrecadação ainda mais otimista que seu antecessor: mais de R$ 30,2 bilhões totais, dos quais R$ 6 bi deveriam ir para a Saúde. No entanto, já nos aproximando do final do ano, sabemos que essa estimativa também foi superestimada. Para piorar, apesar da arrecadação até o mês de setembro ter melhorado um pouco (passando de R$ 18.2 bi em 2017, para R$ 19,6 bi em 2018), o mesmo não se pode dizer em relação aos empenhos do governo com saúde. No ano passado, a prefeitura já tinha utilizado R$ 4.3 bi em Saúde até o dia 30/09 e esse ano só gastou R$ 4.2 bi. Ou seja, Os problemas que já foram grandes no final do ano passado (em parte pelos erros da administração Paes) tendem a ser ainda maiores nesse final de 2018.

Mas, lamentavelmente, nada é tão ruim que não possa piorar. Apesar do Prefeito Crivella e seu primeiro ministro Messina terem aumentado novamente a previsão de arrecadação para 2019, com uma estimativa de R$ R$ 30.362.372.919, dessa vez eles resolveram assumir que Saúde definitivamente não é uma das prioridades do governo municipal. Para o próximo ano, a Secretaria Municipal de Saúde terá que fazer mágica com um orçamento de R$ 5.285.878.508. É isso mesmo: um corte de R$ 725.318.795 milhões em relação ao orçamento desse ano.

Com tal medida, fica claro que o objetivo do prefeito nunca foi “cuidar das pessoas” como prometeu durante a campanha eleitoral. Afinal, a queda de arrecadação pode até ser real, mas reduzir a verba da Saúde (enquanto aumenta a de pastas como a Casa Civil) é uma opção administrativa de um governo que, no minimo, não sabe escolher suas prioridades.