Exonerada por telefone, diretora é ouvida na CPI do Assédio Moral

O presidente e relator da CPI do Assédio Moral, no âmbito do Secretaria Municipal de Educação ouviram nesta quarta-feira (24) a diretora e dois professores da Escola Municipal Senador Correia, em Laranjeiras.

Durante depoimento Sonia Gaspar, diretora da unidade, contou que em janeiro, no início da gestão, iniciou um processo de melhorias na estrutura da escola. Ela tirou entulhos de três salas e as colocou em uso. O material descartado teria sido fotografado por responsáveis e moradores da região e os mesmos teriam feito postagens críticas, nas redes sociais.

“Foi aí que começaram os meus problemas, me acusaram de estar falando da direção anterior, começaram a acontecer várias vistas surpresas de elementos da SME e da 2ª CRE. Pediram para tirar a postagem, mas eu não podia, porque elas não eram minhas, eram da associação de moradores.”

A diretora contou que as aulas foram iniciadas com menos oito professores nas turmas e que o simples fato de requerer profissionais à 2ª Coordenadoria de Educação (CRE) ocasionou uma nova “guerra”.

Depois de tanta perseguição, em junho, Sonia Gaspar foi exonerada por telefone, mas o pedido nunca foi oficializado porque o Secretário da Casa Civil Paulo Messina suspendeu o ato antes de ele ser publicado no Diário Oficial do Município.

Mesmo diante de tantas evidências, no dia seguinte ao pedido de exoneração, o então Secretário Municipal de Educação, Cesar Benjamin, foi às redes sociais negar o ato. Em agosto deste ano foi aberta uma sindicância contra Sônia e outros três funcionários da escola, sob a alegação de má administração.

O professor de artes Humberto Diegues disse que os ataques à diretora por membros da 2ª CRE e da Secretaria Municipal de Educação afetou toda escola. “Esse desconforto todo gera muitos transtornos que acabam afetando o pedagógico”, frisou.

A professora de Sala de Leitura, Rosangela Eleno, que trabalha há dez anos na Senador Correia também foi ouvida. “Vieram ordens de cima, ordens sem dialogar conosco. A Sonia precisa ter voz, ela precisa ter autonomia e isso está sendo tirado dela o tempo inteiro”, lamentou.

O episódio com a diretora Sonia Gaspar foi um dos que gerou o pedido de CPI. Além da diretora, a CPI já ouviu a professora Flávia Rodrigues, que foi afastada da escola onde lecionava e enquadrada em dois processos administrativos por questionar a gestão de Marcelo Crivella.

Após a abertura da CPI dezenas de novas denúncias surgiram e estão sendo acolhidas pelo grupo de trabalho que coordena a CPI. A próxima reunião da Comissão foi agendada para o dia 8 de novembro, às 13h, mas não será aberta ao público porque terá um caráter meramente deliberativo.