Comunicadores dizem não a Bolsonaro

Preocupados com o rumo das eleições, com a disseminação de notícias falsas (fake news) e com as ameaças à liberdade de expressão, jornalistas e comunicadores lançaram, na segunda (22), um manifesto contra o candidato Jair Bolsonaro.

O documento denuncia o aumento de agressões contra profissionais da comunicação durante o período eleitoral, já são mais de 130 casos. Leia a íntegra:

Manifesto de jornalistas e comunicadores contra Bolsonaro

A busca incessante pela imparcialidade, dando espaço a todas as partes envolvidas, é regra de ouro no Jornalismo. No papel, na TV, no rádio ou no digital as nossas palavras devem ser empenhadas garantindo que todas as vozes sejam ouvidas, mas a atuação profissional, objetiva, não pode ser impedimento para o posicionamento político, sobretudo num momento tão grave para a democracia brasileira.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros diz, no seu Artigo 9º, que todo jornalista tem o dever de “opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem”.
No artigo seguinte, a carta que rege a nossa profissão destaca que o jornalista não pode “concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual”.

Dos concorrentes deste segundo turno da eleição presidencial, um dos candidatos construiu a sua carreira política usando discursos toscos e condenáveis, contra os direitos de minorias. Dentre as frases memoráveis, defendeu que, caso fosse empresário, pagaria salários menores para as mulheres, e confessou que preferia ter um filho morto a um filho homossexual.

Além disso, defendeu abertamente e de forma reiterada o uso de práticas de tortura pelo Estado e a inexistência da ditadura militar no Brasil na qual o papel da imprensa foi restringido e muitos de nós violentados, como o ex-diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, barbaramente assassinado pelo regime. Quanto à memória desse último, aliás, em entrevista em julho desse ano ao “Marina Godoy Entrevista”, da RedeTV, Bolsonaro endossou a tese já comprovadamente refutada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos de que Herzog haveria cometido suicídio.

Ainda assim, durante a campanha, baixou o tom, mas incitou que adversários políticos fossem tratados como inimigos e fuzilados. E logo após a divulgação do resultado do primeiro turno, prometeu que caso eleito acabará com o ativismo no Brasil.

Essa é uma ameaça direta a nós e a nossa profissão. E é fato que já temos sido alvo de agressões nas ruas e nas redes. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já são mais de 130 casos nestas eleições. Os jornalistas, por princípio, devem oferecer à sociedade a informação de qualidade, apurada à exaustão, divulgando fatos que sejam de interesse público. Mas também é dever de todo jornalista, conforme cita o nosso Código de Ética, sermos ativistas e lutarmos pela liberdade de pensamento e de expressão.

Por esses motivos, nós, jornalistas, temos a obrigação de nos posicionarmos politicamente, seguindo a carta que rege a nossa profissão, pelo #EleNão #BolsonaroNão.

O documento está disponível para adesão de profissionais e militantes da comunicação. Assine, ajude a divulgar!