Um secretário arbitrário e servidores frágeis

“Uma direção relaxada” segundo a diretora da Escola Municipal Tagore, Adriana Fernandes, foi com essa frase que o ex-secretário de educação, Cesar Benjamin classificou a administração dela.

Emocionada, a diretora prestou esclarecimentos à CPI do Assédio Moral, no âmbito da Secretaria Municipal de Educação, na tarde desta quinta-feira (7). Adriana deixou claro que sofreu pressão no episódio que afastou a professora Flávia Rodrigues por fixar cartaz reivindicatório à gestão do prefeito Marcelo Crivella.

“Não sofri nenhuma punição, mas todo o episódio foi bastante desgastante. Eu fui constrangida demais pelo secretário.”

Outro depoente à CPI foi o chefe de gabinete da atual secretária de educação, o senhor Cláudio Maia Figueiredo, que à época era coordenador da 3ª CRE, coordenadoria que abrange a Escola Municipal Tagore.

Cláudio relatou que o ex-secretário César Benjamin ficou bem aborrecido com o episódio e chegou a ameaçá-lo de exoneração. O servidor disse que foi à escola, conversou com a diretora, pegou o cartaz e o levou ao então secretário.

“A conversa foi constrangedora. O tom era de “não pode”, “é um absurdo”. Ele disse que a minha coordenação era frouxa, que os professores faziam o que queriam e ninguém tomava nenhuma providência.”

O presidente da Comissão, vereador Renato Cinco (PSOL) disse ter ficado evidente que todo o episódio tomou dimensões enormes devido à decisões arbitrárias do ex-secretário de educação. Entretanto, Cinco ressaltou a submissão e subserviência dos servidores mais graduados.

“Preocupa bastante, que o humor do ex-secretário seja o suficiente para que profissionais da educação ocupando postos importantes, não ofereçam resistência. Parece que o secretário agiu contra alguns princípios fundamentais da República, como a liberdade de expressão e liberdade sindical e contra os princípios fundamentais da Educação, que é a gestão democrática. Não quero ser indelicado, mas o que observo é pouca firmeza e falta de disposição para fazer a devida resistência”.

Cinco ressaltou ainda a intenção de formular propostas para fortalecer a gestão democrática da escola e a criação de um mecanismo de resistência ao assédio moral.

O tal cartaz, causador de tanta discórdia continha pautas reivindicatórias da categoria.

“Na gestão Crivella: escolas sem manutenção; turmas lotadas; redução da merenda; redução das cópias; desvio dos garis para o Rock in Rio; sem reajuste e sem data para o 13º.”

A servidora Flávia já foi recebida pela atual secretária de educação e nesta sexta-feira (8) se reunirá com o atual coordenador geral da 3ª CRE.