Autódromo na floresta NÃO!

O mandato do vereador Renato Cinco (PSOL), não abraçou a causa ambiental para ganhar voto ou aparecer. Temos a real preocupação com o meio ambiente, nossas florestas, rios e bichos. Não à toa batalhamos para integrar a Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara e o vereador é o mais novo presidente da Comissão.

Além da CPI das Enchentes, estamos na briga para que a prefeitura desista, de uma vez por todas, de instalar na Floresta do Camboatá o novo autódromo do Rio. O local é um dos raros remanescente florestal da Mata Atlântica, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

No próximo dia 10 de maio, a Comissão do Colapso Hídrico, também presidida por Renato Cinco, promoverá Audiência Pública para debater a possível instalação.

O engenheiro florestal Rogério Gribel e o pesquisador Haroldo Lima realizaram um estudo da Floresta do Camboatá. O local é uma área com cerca de 200 hectares denominada Campo de Instrução de Camboatá, de propriedade do Exército Brasileiro há mais de cem anos. Pelo menos 100 hectares de sua área central possui uma floresta antiga e bem preservada.

No final da década de 50, quando o terreno era usado como depósito de munições, minas terrestres e granadas remanescentes da Segunda Guerra Mundial, houve uma série de explosões que espalhou artefatos por toda a floresta.

Para o pesquisador, o episódio ajudou a conservar a área porque os próprios militares tinham medo de adentrar no terreno, com receio de novas explosões dos artefatos que ficaram enterrados. “Isso permitiu que a floresta sofresse pouca perturbação por quase seis décadas”, conta Gribel.

Quando a prefeitura anunciou o interesse em construir ali o novo Autódromo do Rio de Janeiro, os pesquisadores Gribel e Lima foram acionados para fazer uma avaliação da importância daquele fragmento de Mata Atlântica.

Raridade

Com base nas visitas a campo e com dados anteriores de outros botânicos que estudaram aquele fragmento, os pesquisadores constataram que aquela área de Camboatá é um dos últimos remanescentes no município de um tipo de floresta que era comum nas áreas de baixo relevo e que foram dizimadas pela expansão urbana.

Trata-se de uma floresta peculiar com espécies de Mata Atlântica raras e em extinção, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), com fauna rica, onde se pode avistar ainda vários tipos de pássaros, mamíferos e répteis de grande e médio porte, a exemplo da capivara, cachorro-do-mato, tamanduás, macaco-prego, saguis, jacus, jacutingas, papagaios e jacarés.

“Dentro da densamente povoada área metropolitana do Rio de Janeiro sobrou quase que milagrosamente um fragmento de Mata Atlântica de 100 hectares, na beira da movimentada, poluída e degradada Avenida Brasil. Além de árvores, epífitas e plantas de sub-bosque hoje raras e ameaçadas, o fragmento tem uma localização estratégica no contexto da paisagem municipal, entre os remanescentes florestais dos Maciços da Tijuca, Pedra Branca e Mendanha”, conta Gribel.

Segundo Gribel, desta forma, serve de “ponto de parada e abastecimento” (step stone) para animais alados, como morcegos, aves e abelhas grandes, que podem assim se deslocar entre aqueles maciços, promovendo o fluxo de pólen e sementes entre eles e evitando o isolamento genético das populações de árvores nessas florestas.

Desde a gestão de Eduardo Paes, a prefeitura vislumbra ocupar aquele espaço com uma pista automobilística e privilegiar mais uma vez a especulação imobiliária. A conversão daquela área em autódromo foi contida em função dos estudos apresentados e da mobilização popular.

Com a sanha deste novo governo em insistir em instalar ali o Novo Autódromo, faz-se necessária mais mobilizações para que isso não ocorra. Mesmo que a pista preserve a mata, a poluição sonora e os transtornos causados pelas obras trará consequências irreversíveis à fauna que lá vive.

Parque de uso público

De acordo com Gribel, o anel externo desse fragmento, já desmatado, tem desenho perfeito para se instalar um belo parque de uso público, preservando-se a área central de 100 hectares deste fragmento da Mata Atlântica. Como alternativa, os pesquisadores sugeriram que nos 100 hectares do entorno fossem instalados equipamentos de lazer, desporto e cultura, como pistas de caminhada e de skate, piscinas, ciclovias, quadras esportivas e anfiteatros, que poderiam ser um espaço importante para as comunidades que vivem nos bairros da Zona Norte, ao mesmo tempo em que se conservaria a mancha central de 100 hectares da floresta remanescente.

“Desta forma se conciliaria a conservação do raro fragmento florestal com o incremento da qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem no entorno, área carente de estruturas de lazer e esporte. Para o autódromo sugerimos estudos para identificar alternativas locacionais, de preferência em área já anteriormente degradada”, revela o pesquisador do Inpa.

*Esse texto é uma releitura dos materiais colhidos do site do Jardim Botânico e Crea, com a colaboração do biólogo Pedro Graça Aranha.