Câmara aprova em 1ª discussão Área de Proteção Ambiental do Camboatá

Nesta quarta-feira (24), os vereadores aprovaram em primeira votação o Projeto de Lei 632/2017, que “cria a área de proteção ambiental da floresta do Camboatá, no bairro de Deodoro, no município do Rio”.

A proposta do vereador Renato Cinco (PSOL) ainda passará por uma segunda votação, antes de ir à sanção do prefeito para virar lei e, se aprovada, será uma vitória para o meio ambiente.

A prefeitura já anunciou que pretende construir ali o novo autódromo do Rio de Janeiro. O vereador Renato Cinco esteve no local e comprovou a importância daquele sistema para a flora, a fauna e o clima carioca.

“Importante os cariocas perceberem que não é meia dúzia de árvores que a prefeitura quer cortar para fazer o autódromo. Eles querem destruir uma floresta, em pleno processo de regeneração que precisa ser preservada. Autódromo sim, na floresta do Camboatá não!” Renato Cinco (PSOL).

A Floresta do Camboatá é uma área verde remanescente da Mata Atlântica. Um biossistema importante para a cidade, localizado no bairro de Deodoro. Um verdadeiro oásis no meio de concreto e asfalto. A área tem várias espécies da fauna e flora, além de nascentes.

De acordo com o ecólogo e engenheiro florestal Rogério Gribel “com base nas visitas a campo e com dados anteriores de outros botânicos que estudaram aquele fragmento, os pesquisadores constataram que aquela área de Camboatá é um dos últimos remanescentes no município de um tipo de floresta que ocorria nas áreas de baixo relevo, que foram dizimadas pela expansão urbana. Trata-se de uma floresta peculiar com espécies de Mata Atlântica raras e em extinção, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), com fauna rica, onde se pode avistar ainda vários tipos de pássaros, mamíferos e répteis de grande e médio porte, a exemplo da capivara, cachorro-do-mato-, tamanduás, macaco-prego, saguis, jacus, jacutingas, papagaios e jacarés”.
A permanência desta área verde é fundamental para a amenização do microclima da região, sendo também elemento central para paisagem local.

A urbanização da área certamente traria prejuízo para a qualidade de vida da população. Dentro do aspecto hidrológico, a carga de água do Rio Calogi, e consequentemente do Rio Acari, iria aumentar, piorando os já presentes problemas de enchentes da região.

Audiência Pública

No próximo dia 10 de maio, às 14 horas, no plenário da Câmara, a Comissão do Colapso Hídrico, presidida pelo vereador Renato Cinco (PSOL), promoverá Audiência Pública para debater a possível instalação do autódromo naquela região.

A pressão popular é fundamental para evitar que a especulação imobiliária destrua uma área tão importante para a cidade.