Dia 4 de maio tem Marcha da Maconha em Ipanema

Maio é o mês de luta pela legalização da cannabis. No Rio de Janeiro, a Marcha da Maconha será realizada no dia 4 de maio, com concentração às 14h, no Jardim de Alah. A tradicional passeata pela orla de Ipanema em direção ao Arpoador terá início às 16h20.

O slogan deste ano “Contra o abate nas favelas, legaliza, com o Supremo, com tudo”, tem o objetivo de mostrar que a “guerra às drogas” serve como instrumento para criminalização da pobreza, para manter fora do Estado Democrático de Direito os territórios ocupados pelas pessoas mais pobres do nosso país.

No plenário da Câmara Municipal, Renato Cinco abordou a história racista da proibição da maconha e as múltiplas utilidades desta poderosa planta. Cinco também explicou como esta política gera violência, encarceramento excessivo, corrupção e a existência de uma mercado de drogas totalmente fora de controle. “A proibição da maconha, para a surpresa de muitas pessoas, teve início aqui na cidade do Rio de Janeiro. O código de posturas municipais de 1830 é a primeira lei conhecida no mundo que proíbe a maconha e dá uma pista do que estava por trás da proibição da maconha: era o processo de criminalização da cultura negra que se intensificou a partir da proclamação da República”, lembrou.

Veja a íntegra do discurso:

O governo Wilson Witzel foi eleito com promessa de abater supostos traficantes com utilização de snipers. Até o momento não existem estatísticas oficiais sobre a utilização desta prática, mas o próprio governador não nega que ela esteja em prática.

Mais uma vez a “guerra às drogas” é usada como pretexto para truculência da polícia nas periferias. Apesar do fracasso global da política de proibição das drogas, essa lógica segue na lista de prioridades dos órgãos de segurança pública.

A Marcha da Maconha luta pela paz nas favelas. Basta de guerra aos pobres!

Evento da Marcha da Maconha no Facebook

Manicômio nunca mais

Com o início do governo Bolsonaro a política nacional de drogas retomou o rumo do manicômio. Em março deste ano, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, assinou 216 novos contratos com Comunidades Terapêuticas (CTs).

Essa reorientação das políticas de saúde mental do governo federal aponta no sentido inverso do caminhado nas últimas duas décadas. Não é exagero dizer que ela é uma afronta a Reforma Psiquiátrica de 2001.

Neste contexto, nosso mandato vai lançar, na Marcha da Maconha, um cartilha crítica ao modelo manicomial de assistência ao uso problemático de drogas. O vereador Renato Cinco também é o autor da lei 6300/2017, que estabelece a Redução de Danos como política municipal de saúde.

Os usuários que fazem uso problemático de drogas ou que buscam apoio não devem ser presos ou internados. O tratamento adequado é a atenção baseada na estratégia de redução de danos, que compreende e respeita a autonomia das pessoas.