Geo-Rio: um órgão pequeno com uma função gigante

A 6ª sessão da CPI das Enchentes ouviu nesta quinta-feira (16) o presidente da Fundação Instituto de Geotécnica (Geo-Rio) Herbem Maia e os servidores do órgão Ricardo Neiva e Ernesto Ferreira.

Foram quase três horas de oitivas, onde os vereadores presentes buscaram entender a missão e a estrutura da Geo-Rio, fundação criada após as chuvas de 1966, que devastaram
o Rio. O que ficou claro foi que apesar do trabalho fundamental na prevenção de desastres, a Geo-Rio é uma empresa apequenada ao longo dos anos e negligenciada pela atual prefeitura.

O órgão que chegou a ter 140 servidores, hoje conta com apenas 90 funcionários, entre eles 42 técnicos e 4 viaturas para atender toda a cidade. O presidente da Geo-Rio, lembrou ainda que nos próximos 10 anos, mais da metade desse quadro vai se aposentar e que a memória guardada por esses servidores antigos pode ser perdida.

Apesar da situação dramática vivida pela empresa, os servidores presentes negaram a incapacidade de atender as demandas dos cidadãos que moram no Rio e disseram que o único contratempo é que as chamadas menos urgentes podem levar de 15 a 30 dias para serem atendidas.

Sobre o Sistema de Alerta Rio, ficou claro que a Zona Oeste está completamente descoberta e as áreas mais nobres são as mais privilegiadas com esse mecanismo de prevenção e proteção. Os alarmes sonoros de muitas comunidades também estão funcionando precarizados, o que deixa os moradores das favelas ainda mais vulneráveis.

Sobre o protocolo de interdição de vias, os servidores da Geo Rio admitiram que existe a necessidade da implementação de uma nova linha de estudos para a cidade, mas atribuíram essa tarefa a Centro de Operações Rio.

O vereador Renato Cinco chamou a responsabilidade dos servidores presentes.

“Tudo o que eu escutei aqui me faz concluir que está faltando um pouco de ousadia por parte de vocês. A gente observou pelos depoimentos aqui hoje, que não existe planejamento institucional. O que deveria existir em termos de avaliação de riscos de encostas, de riscos sobre estradas, planejamento de como cobrir todas as comunidades do Rio, não existe planejamento. Existe uma gestão da escassez, com critérios, que não são transparentes. Vocês perderam a oportunidade aqui de demandar orçamento ideal. Acho que a Geo-Rio não protege devidamente a população do Rio de Janeiro. Por que o Vidigal está desabando daquele jeito, porque vocês não conseguiram impedir? Não ia chover no Rio? Vocês não esperavam que ia chover? A academia, a ciência do mundo está avisando que vai chover mais. Pessoas morreram em deslizamento de encostas, que vocês deveriam evitar. Vocês estão perdendo a oportunidade de dizer aqui, onde que a prefeitura deixa de atender as demandas da Geo-Rio para a Geo-Rio cumprir a sua missão”, criticou Cinco.

No início da sessão, o vereador Tarcísio Motta anunciou o que ele classificou como a primeira vitória da CPI. Seguindo uma ideia do presidente e do relator da Comissão, a prefeitura criou um Grupo interdisciplinar de trabalho para averiguar as condições das comunidades afetadas pelos temporais de fevereiro e abril.

A criação do GT foi publicada no diário oficial desta quinta-feira (16) com o cronograma das vistorias que serão feitas até o fim de junho.

As vistorias vão começar no dia 20 deste mês, no Horto. Na mesma semana, no dia 22, o grupo irá à Barra de Guaratiba. Até 26 de junho, serão feitas mais nove incursões nas seguintes comunidades: Vidigal, Paula Ramos, Manguinhos, Jacarezinho, Babilônia, Vargens, Jardim Maravilha, Rocinha e Fallet-Fogueteiro. Todas as vistorias serão acompanhadas pela equipe da CPI das Enchentes.

O GT é formado por: representantes do Centro de Operações, da Defensoria Pública, das secretarias municipais de Conservação, de Infraestrutura e Habitação e de Assistência Social e Direitos Humanos, da Defesa Civil, da Rio-Águas, da Geo-Rio e da Comlurb. Um representante da CPI das Enchentes também acompanhará as vistorias.

Para o vereador Tarcísio Motta, este é um passo importante da CPI: “Desde a instalação da comissão, reforçamos a ideia de que as investigações são importantes não apenas para identificar responsabilidades, mas também para propor soluções”.

Calendário – As próximas sessões da CPI das Enchentes serão:
23/05 os vereadores membros receberão o presidente da Rio Águas e técnicos do órgão.
30/05 será a vez de ouvir servidores da Defesa Civil.
06/06 os vereadores membros receberão o presidente e servidores da Comlurb.
13/06 será a vez dos vereadores membros ouvirem servidores do Centro de Operações.