Autódromo sim, na floresta não!

O mandato do vereador Renato Cinco abriu mais uma frente para a proteção da Floresta do Camboatá. Foi protocolado, na terça-feira (28), o Projeto de Lei que “cria o refúgio de vida silvestre da Floresta do Camboatá, no bairro de Deodoro”.

O projeto, apresentado em parceria com o mandato do vereador Célio Lupparelli, é um dispositivo ainda mais forte na preservação de um fragmento Mata Atlântica de 200 mil hectares.
A proposta transforma a área uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o que inviabiliza qualquer tipo de construção na Floresta.

A Floresta do Camboatá é um verdadeiro oásis entre o asfalto e o concreto. Um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica em planícies do Rio. A área faz fronteira com os bairros de Guadalupe, Vila Militar e Ricardo de Albuquerque na zona norte do município do Rio de Janeiro.

O fragmento tem uma localização estratégica no contexto da paisagem municipal, entre os remanescentes florestais dos Maciços da Tijuca, Pedra Branca e Mendanha. Ele serve de ligação entre essas áreas florestais facilitando o intercâmbio de aves e insetos.

Na última semana, a bancada governista emendou o projeto 632/2017, que propõe a transformação do local em uma Área de Proteção Ambiental (APA). A proposta, que já havia sido aprovada em primeira discussão, foi retirada de pauta e passará pela avaliação de nove comissões permanentes. O trâmite burocrático tirou o projeto de pauta por cerca de dois meses e mostra a tentativa do governo de impedir impedir qualquer proteção à floresta.

O que está por trás do interesse em destruir uma floresta? Por que acabar com a única área verde de uma região densamente povoada e já tão degradada? A construção do autódromo, não trará melhorias para aquela região e nem para a população local. O automobilismo é um esporte caro e inacessível à maioria. Empregos para a modalidade exigem mão de obra altamente especializada e certamente o que restará para os moradores dos arredores serão os subempregos e o aumento do custo de vida.

A prefeitura tem pelo menos outras cinco opções para a construção do novo autódromo. É o que aponta um estudo realizado pelo próprio poder executivo municipal. Por que insistir na destruição de uma área verde?

O mandato do vereador Renato Cinco (PSOL) não vai descansar enquanto a Floresta do Camboatá estiver ameaçada.

O projeto de lei apresentado nesta semana, propõe um refúgio de vida silvestre, que é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Ela está inserida na Área de Proteção Ambiental da Floresta do Camboatá, que é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, proposta pelo Projeto de Lei 632/2017. Juntas, essas unidades vão garantir a preservação deste importante local.