Vaza Jato

Nessa semana, a crise política chegou com força no governo Bolsonaro, em especial no ministro da Justiça Sérgio Moro. O veículo jornalístico The Intercept publicou um conjunto de conversas pelo aplicativo Telegram entre procuradores da Lava-Jato e o então juiz.

As conversas provam que Sérgio Moro agiu como parte da acusação. A separação entre julgador e acusação é o mínimo esperado em um julgamento. O regime que confunde acusador e juiz é chamado, com razão, de inquisitorial. Moro pediu que fossem produzidas determinadas provas, pressionou para que a acusação fizesse mais operações policiais e mostrou-se parcial.

Os mais recentes vazamentos ainda apontam para o envolvimento de Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal, no conluio. O The Intercept Brasil afirma ter horas de material inédito que serão lançados nos próximos dias.

O mandato de Renato Cinco é crítico ao governo Lula e ao PT. O próprio PSOL foi formado por insatisfação com a Reforma da Previdência de Lula, em 2004. Porém, as mínimas garantias penais são indiscutíveis. Qualquer pessoa deve ter o direito a um julgamento justo. E um juiz-acusador jamais será justo. Todos os processos que os vazamentos deixarem clara a suspeita sobre o juiz devem ser anulados.

O governo autoritário de Jair Bolsonaro está em silêncio sobre o caso. Muito provavelmente esperam os desdobramentos para decidir o que fazem com Sérgio Moro. Recentemente, pesquisa Datafolha deu conta de uma queda de 10 pontos percentuais na popularidade do ministro. O braço extra-oficial do governo, os bots de Twitter e de WhatsApp, porém, partiram para a ofensiva, pedindo a deportação de Gleen Greenwald, fundador do Intercept e companheiro do deputado federal David Miranda (PSOL).

É preciso defender a liberdade de imprensa e garantir a divulgação de todo o material obtido, de todos os jornalistas envolvidos com a matéria.