Comissão absolve prefeito, mas oposição vai apresentar relatório paralelo

A Comissão processante de impeachment do prefeito Marcelo Crivella, anunciou nesta quarta-feira (19) o que “todo” mundo já esperava. Contrários à opinião pública, para os três vereadores membros, o prefeito não deve sofrer cassação.

Durante leitura do relatório final, o relator da Comissão Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos), o presidente Willian Coelho (MDB) e o membro Paulo Messina (PRB) concluíram que Marcelo Crivella não teve relação direta com o ato que prorrogou por mais 20 anos as concessões publicitárias nos mobiliários públicos.

“Não se enxerga responsabilidade personalíssima do senhor prefeito Marcelo Crivella. Mas há sombra de dúvidas que o rito do processo administrativo foi subvertido de forma temerária”, disse Luiz Carlos Ramos Filho.

O relatório aponta como responsável a servidora Maria Elisa Werneck, que para os membros foi a causadora do “vício de processo e deu origem ao processo administrativo”. Ora, é uma tremenda covardia colocar no colo de uma servidora a gestão horrorosa do prefeito.

Na próxima terça-feira (25), o relatório final deve ser votado em plenário, o prefeito precisa de apenas 17 votos para enterrar de vez essa tentativa de cassação. Mas alguns vereadores de oposição já avisaram que vão apresentar relatório a parte, condenando o prefeito ao impeachment.

Para os vereadores do PSOL, está mais do que nítido que Marcelo Crivella cometeu crime e deve responder por isso.

O aumento ilegal do prazo de contrato de duas empresas de publicidade nos mobiliários urbanos foi danoso para a prefeitura e benéfico para as empresas. Essa ilegalidade por si só já seria suficiente para votar pelo impedimento, mas a atual gestão cometeu outros crimes – todos denunciados pela bancada do PSOL.

Durante a campanha de 2018, Crivella utilizou recursos da Comlurb para levar funcionários em horário de expediente para atividade de campanha do próprio filho. Na mesma campanha, fez atividade com lideranças evangélicas oferecendo vantagens ilegais na fila do sistema municipal de saúde.

O PSOL pediu abertura de impeachment para apurar essas ilegalidades, mas infelizmente a Câmara não quis abrir os processos.

Importante lembrar que por duas vezes, os vereadores do Rio tentaram mudar a regra do jogo e instituir – já neste ano – eleições indiretas. A manobra retiraria o poder de voto do povo e daria aos vereadores a escolha do novo chefe do executivo. A bancada do PSOL foi contra e a sanha de alguns vereadores para tirar o prefeito do cargo enfraqueceu. Inclusive de alguns “nobres” que hoje compõem a comissão de impeachment.

Caso haja uma reviravolta e Crivella seja retirado do cargo ainda este ano, teremos eleições diretas. E o povo poderá voltar às urnas e escolher um novo gestor até 2021.

Para isso ocorrer é necessário mobilização. Todos e todas à Câmara na próxima terça-feira, dia 25, a partir das 14 horas. Fora Crivella, diretas já!