Impeachment de Crivella, um enterro anunciado há dias

O resultado já era esperado. Na tarde de terça-feira (25), por 35 votos a 13 (e uma abstenção) a maioria dos vereadores decidiu rejeitar o pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (PRB).

O próprio prefeito já havia anunciado, no final do mês de maio, que “o impeachment já morreu. Só falta ser enterrado”. A certeza de Crivella, certamente não foi movida pela fé, que ele diz ter. Desde a chegada do pedido à Câmara, foi possível notar as mudanças no ânimo dos vereadores.

Crivella teve tempo para recompor a base de apoio e muitos parlamentares que não escondiam a insatisfação com o prefeito mudaram de postura. As notícias dos jornais davam conta de que a ciranda dos cargos municipais estavam a pleno giro. E funcionou.

A oposição bem que tentou. Produziu um relatório alternativo (link), discursou sobre as mazelas e irregularidades da gestão administrativa municipal, como o sucateamento da saúde e da educação públicas. Da tribuna da Câmara, o vereador Renato Cinco (PSOL) lembrou que foram muitos os crimes administrativos cometido pelo prefeito.

“O prefeito Marcelo Crivella é reincidente no crime de responsabilidade. Cometeu infrações quando reuniu sua claque de pastores para ensinar como manipular o sistema de vagas na rede pública municipal de saúde, depois utilizou a máquina da Comlurb para fazer campanha para o seu filho para deputado federal e, desta vez, a comissão processante foi instalada. E a comissão quer que a sociedade engula, quer que acreditemos que houve irregularidade – tanto que recomendou o cancelamento do contrato, mas a responsabilidade, para eles, não foi do prefeito, foi do servidor público que por vontade própria decidiu desobedecer a lei e o prefeito foi só incompetente, assinou sem ler”, problematizou Renato Cinco.

O fato é que Crivella se livrou tranquilamente do impeachment, na realidade ele só precisava de 17 votos contrários à cassação.

Os seus apoiadores contrariam muito a opinião pública, porque não é preciso nem sair de casa para saber que essa é a gestão do prefeito mais impopular dos últimos anos.

A verdade é que, o que está por trás da virada do Crivella não é só a distribuição de cargos. Por duas vezes, os mesmos vereadores que salvaram o prefeito, votaram pela mudança da Lei Orgânica e tentaram instituir a eleição indireta, que tiraria a escolha do novo prefeito pelo voto do povo e daria o poder de escolha aos vereadores.

Como a manobra não prosperou, os raivosos a Crivella decidiram recuar e esperar até o ano que vem, quando legalmente a eleição é indireta.

Boatos na Câmara do Rio, dão conta que outros três processos de impeachment ao prefeito repousam na gaveta do presidente, mas eles serão desengavetados no final deste ano. A conferir.