Suspeita de fraude na licitação do Novo Autódromo

Escândalos sobre a construção do Novo Autódromo do Rio não param de surgir. Como se não bastassem todos os empecilhos ambientais, o site G1 fez uma grave denúncia sobre o processo de licitação do “Novo Autódromo”.

A empresa vencedora da licitação, a Rio Motopark, foi criada a apenas 11 dias, antes do lançamento da concorrência. A campeã tem capital social declarado de R$ 100 mil, ou seja, 0,14% da verba mínima exigida para a construção da pista automobilística. E, para completar, o presidente da empresa, o senhor José Antônio Soares Pereira Júnior é sócio da Crow Assessoria, a mesma empresa que ajudou a prefeitura a escrever o edital de licitação.

Mesmo com tantas evidências, a prefeitura nega irregularidades. Entretanto, o Ministério Público Federal identificou indícios de direcionamento da licitação e enviou uma notícia-crime ao MP estadual, esfera responsável pelo Rio.
Há anos o vereador Renato Cinco (PSOL) denuncia o absurdo que é a construção deste novo autódromo, um empreendimento que promete destruir a Floresta do Camboatá.

“No primeiro semestre deste ano nosso mandato abraçou a luta em defesa da Floresta do Camboatá, onde a prefeitura planeja construir o novo autódromo da cidade. Esse projeto pode resultar na derrubada de 180 mil das 200 mil árvores que existem no Camboatá, que fica entre Deodoro e Guadalupe”, destacou Renato Cinco.

O nosso mandato apresentou projeto para transformar a Floresta em “Área de Proteção Ambiental” (PL 632/2017), a proposta chegou a ser votada e aprovada em primeira discussão, mas numa manobra, a base de Crivella emendou o texto e tirou o projeto de pauta.

Também apresentamos o PL 1345/2019 que “Cria o Refúgio de Vida Silvestre da Floresta do Camboatá”. A proposta visa assegurar um cenário de preservação ainda mais restrito que a Área de Proteção Ambiental e impede a construção naquela localidade, mas ainda não tem data para ser votada.

As investidas para derrubar a Floresta estão muito fortes, mas a suspeita de fraude na licitação pode salvar um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica em planície, uma área importantíssima para a Zona Norte do Rio e que liga os três grandes Maciços da cidade: Pedra Branca; Tijuca e Gericinó.

Caso a licitação seja suspensa, ganhamos tempo para a lutar pela aprovação dos projetos citados acima. Entretanto, somente a mobilização popular vai conseguir preservar a Floresta do Camboatá. “O Rio pode ter um autódromo, mas não podemos aceitar a destruição de 180 mil árvores para isso”, criticou Cinco.