Anvisa e a legalização da maconha pela direita

A negação do conhecimento científico é uma característica do governo Bolsonaro. A prática tosca não se limita a questões ambientais ou assuntos ligados à educação, e afeta também a política de drogas.

O processo de regulamentação do cultivo de maconha, que está em debate na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi alvo de ataques do próprio governo federal. O ministro da Cidadania Osmar Terra chegou a dizer que a Anvisa vai “facilitar o tráfico de drogas” e que a Agência “deve ser fechada” se regulamentar o cultivo de maconha.

O vereador Renato Cinco rebateu os argumentos de Osmar Terra, que insiste em negar o potencial terapêutico da cannabis. Cinco também apontou que a proposta em debate na Anvisa tem uma série de problemas, já que a permissão para o cultivo será restrita às empresas. Na prática, somente o grande capital farmacêutico terá condições de seguir as regras propostas.

A resolução em questão proíbe que pessoas físicas possam cultivar maconha em casa, mesmo que seja para uso medicinal. O cultivo deverá ser em local fechado, seguindo normas de segurança como controle de acesso por biometria, alarmes, proteção e janelas duplas.

A Anvisa também colocou em consulta pública resolução que trata da permissão para medicamentos feitos com maconha. A Agência não vai apresentar uma lista de doenças que podem ser tratadas com a cannabis. Os medicamentos serão autorizados conforme os pedidos apresentados pela indústria farmacêutica. “Com regras tão rígidas, parece que a Anvisa está regulamentando a produção de plutônio. Isso não vai baratear e facilitar o acesso da maconha aos pacientes brasileiros”, criticou Cinco.

Veja a íntegra do discurso: