Rio de Janeiro fará plenária pró-coalizão pelo Clima

Com a temperatura atingindo pela primeira vez 37ºC no Alasca, 42,3ºC na França e 25ºC no Ártico, a pauta ambiental mudou o cenário dos parlamentos europeus e mobiliza o mundo pela Greve do Clima.

Desde o início do ano, os desastres climáticos se fizeram sentir em diversas partes do Globo. Furacões aconteceram em partes da África que nunca tinham sido atingidas por estes eventos; três enchentes de grandes proporções ocorreram no Rio de Janeiro, quando a média era de uma a cada dez anos; um urso polar esfaimado invadiu uma cidade russa a centenas de km de seu habitat natural; 11.435 pessoas morreram na primeira quinzena de agosto, na França, pela onda de calor; o degelo do Alasca teve início mais cedo.

O aquecimento global se tornou um fato incontestável. Na terceira edição do livro “Capitalismo e colapso ambiental”, o professor da Unicamp Luiz Marques concluiu que a situação é pior do que os prognósticos mais pessimistas. A previsão, agora, é de aumento de 3ºC na temperatura global (e não apenas 2). As consequências ambientais serão catastróficas, possivelmente com mais de 1 bilhão de desabrigados e desterrados. A cidade do Rio de Janeiro será uma das mais atingidas.

Na contramão dos movimentos globais, a articulação do governo Bolsonaro promove uma perseguição aos ambientalistas. O país está ampliando o desmatamento da Amazônia; liberando agrotóxicos proibidos em toda Europa e nos EUA; redimensionando a Petrobras para parar os investimentos em energias alternativas e se concentrar apenas em combustível fóssil; extinguindo as comunidades indígenas e quilombolas.

Já as ações nos órgãos federais são de absoluto autoritarismo persecutório. O presidente do ICMBIO, por exemplo, foi destituído e substituído por um general. O clima no órgão ambiental é de assédio moral. O famoso oceanógrafo José Martins da Silva Júnior, especialista na biodiversidade de Fernando de Noronha, que publica há 30 anos suas pesquisas sobre a biosfera local, foi arbitrariamente transferido para uma unidade de conservação no sertão nordestino. O mesmo acontece em outros órgãos como o IBAMA, a Fiocruz e o INPE. Este último, responsável pelo monitoramento amazônico, tem sido censurado em sua função pública.

O quadro ambiental urgente, tanto da cidade quanto do país e do mundo, tem ganho força política no último ano. Grandes mobilizações aconteceram em países como Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Índia, Colômbia, África do Sul e EUA. Uma Greve do Clima planetária está sendo construída no decorrer de 2019. O próximo grande dia de paralisação será na semana de 20 a 27 de setembro. No Rio de Janeiro, a data escolhida foi dia 20, mesma data de outras cidades brasileiras como São Paulo.

No dia 24 de agosto, sábado, será feita uma grande plenária unificando ambientalistas e movimentos sociais de várias origens. O objetivo é criar uma coalizão pelo clima no Rio de Janeiro. O evento será aberto e acontecerá no Espaço Plínio, na rua da Lapa 107, às 14 horas. Venha construir essa luta. O planeta precisa. Participe!