CPI da Censura deve investigar ação de Crivella na Bienal

A operação montada pelo prefeito Crivella para censurar livros na Bienal deve ser investigada pela Câmara Municipal. Na tarde desta quarta-feira (11), nosso mandato conseguiu o número de assinaturas necessárias para a criação de uma CPI sobre este episódio.

A “blitz” dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) ocorreu nos dias 5,6,7 e 8 de setembro. O alvo eram publicações com temática LGBT, em uma inaceitável ofensiva de cunho discriminatório.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco criticou a atitude autoritária do prefeito, “o prefeito não é censor, não tem a atribuição de fazer fiscalização em conteúdo de obra de arte. Arvorar-se de tal poder é uma atitude ditatorial, e digo mais: quando o presidente do Tribunal de Justiça referendou a atitude do prefeito, corroborou a suspensão da liberdade de expressão no território da Cidade do Rio de Janeiro”, criticou.

Veja a íntegra do discurso:

O fim da Bienal não significa que o episódio foi superado. Em breve a CPI – que ainda precisa ser acatada pelo presidente de Câmara – vai apresentar um plano de trabalho, com objetivo de ouvir agentes que participaram da ação e entender os danos gerados à liberdade de pensamento.

“Independente do conteúdo de qualquer obra, o prefeito não tem essa atribuição. É mais grave ainda quando o prefeito usa mentiras para justificar sua ação. O prefeito disse que havia cenas impróprias para menores na revista “Vingadores, a Cruzada das Crianças”. Não há cenas impróprias. Ou qualquer cena de beijo tem que ser considerada imprópria ou o que há é preconceito contra o beijo de homossexuais. O que me preocupa é que se o prefeito pode proibir o que ele achar impróprio, quem garante que Marcelo Crivella também não possa achar que a cultura afrobrasileira seja imprópria? Ele pode um dia achar que o livro “Como as democracias morrem” é um livro subversivo e despachar a guarda municipal para apreender o livro. A questão é que nós não podemos autorizar o prefeito a tirar da cabeça dele o que deve e o que não deve ser censurado na nossa cidade, defendeu Cinco.

Confira como foi o debate na Câmara Municipal: