CPI das Enchentes

Foi estarrecedora a sessão da CPI das Enchentes desta quinta-feira (12). A Comissão recebeu as Secretarias da Saúde, da Ordem Pública e a subsecretaria de Defesa Civil.

Fora a secretária da pasta da saúde, a senhora Ana Beatriz Busch, que respondeu a todas as perguntas e apresentou dados, os representantes das demais secretarias demonstraram desconhecimento e usaram de deboche em diversos momentos da sessão.

Quando questionado sobre a qual pasta a Defesa Civil se reporta (o órgão está fatiado em três diferentes secretarias) e quando perguntado sobre a saída de dez engenheiros da Defesa Civil, o senhor secretário Paulo Cesar Amendola, respondeu que esses dados eram irrelevantes.

O Secretário Amendola e o subsecretário de Defesa Civil, o senhor Edson Tavares da Silva chegaram a desdenhar das 16 mortes ocorridas entre fevereiro e abril em decorrência da chuva.
“Senhor presidente, o senhor está falando com um policial experimentar. Então nós temos que levantar, aferir, investigar, como se processou a morte de cada uma dessas pessoas. Cadê o documento, eu sou policial. As pessoas morreram de infarto? Pelas chuvas? Afogadas? Tem que ver se cada um está vinculado ao tema, eu tenho o direito a saber”, respondeu o secretário Amendola.

Diante da resposta, o vereador Tarcísio Motta listou cada uma das mortes e a situação em que elas ocorreram. Mesmo assim, o subsecretário pediu a palavra e voltou a questionar se os óbitos tinham mesmo relação com as fortes chuvas. Depois de mais um deboche, o vereador Renato Cinco pediu a palavra.

“Eu estou estarrecido. A imprensa noticiou que foram perdidas 16 vidas na cidade. E agora, sete meses depois os senhores estão sendo informados nesta CPI? O senhor está tomando conhecimento agora? Não consigo acreditar que os senhores não sabem exatamente as condições que morreram cada uma dessas 16 pessoas. Vocês estão ofendendo a inteligência dos vereadores desta casa, estão se comportando como dois moleques. Se vocês não sabem que 16 pessoas morreram em consequência das chuvas até essa hora, os senhores são as pessoas mais incompetentes que eu já vi na vida. Vocês tinham que pedir demissão, não podiam ocupar os cargos onde estão. Dezesseis pessoas perderam a vida e o senhor tem coragem de dizer aqui que o senhor, como subsecretário, não se preocupou em saber como essas pessoas morreram? ”, criticou Cinco.

Outro momento constrangedor foi quando questionado sobre o não acionamento das sirenes, no Morro Chapéu Mangueira, que pode ter sido determinante para a morte de três pessoas, o senhor Amendola pediu a palavra para dizer:

“Não vejo nexo entre a sirene tocar e a morte da pessoa. Eu tenho dados, não posso comprovar, mas posso apurar, que mesmo tocando a sirene, existem pessoas que se recusam a sair. E não há possibilidade nenhuma de arrancar a pessoa do barraco a força. Eu não estou enxergando isso aí: o nexo entre tocar e isso ter um vínculo forte com a morte das pessoas. É assim na favela, quando entra a polícia e o traficante dá tiro na polícia, as pessoas que estão nas vielas não saem dali e pensam que não vão levar um tiro”.

Muito deboche, despreparo e nenhum dado. Os dois secretários que deveriam conhecer as mazelas e necessidades da cidade na palma das mãos, não sabiam responder a nenhuma pergunta, ou mesmo confirmar e contestar dados apresentados na Comissão. O presidente da CPI, o vereador Tarcísio Motta classificou a sessão como a mais “espantosa” entre todas que aconteceram até o momento.
“Foi a audiência mais espantosa de toda a CPI. Tem um secretário que não entende nada de Defesa Civil, que sequer consegue explicar porque a Defesa Civil está na sua secretaria e temos um subsecretário da Defesa Civil que sequer sabia quantas pessoas morreram esse ano; que não sabia das suas funções; que não sabia do plano de contingência. E os técnicos não conseguiam saber explicar questões básicas. Não conseguiram explicar porque as sirenes não foram acionadas na Babilônia, porque diminuiu o orçamento da Defesa Civil. Saio convicto de que o prefeito Crivella é um desastre para a cidade e também no que tange a questão das enchentes. Convicto do caos administrativo. A cidade não está preparada para as próximas chuvas e nós teremos que responsabilizar as pessoas que estão no cargo de chefia pelo o que elas não fizeram até agora e pelo o que elas teriam obrigação de fazer e não fizeram. A cidade hoje tem um plano de contingência pro forma, não existe um plano real que garanta a vida das pessoas”, concluiu Tarcísio.

Nesta sexta-feira (13), será realizada uma Audiência Pública para apresentar os dados produzidos pelo Grupo de Trabalho que rodou 10 comunidades e mapeou os problemas e necessidades de cada uma delas.

Acompanhe abaixo a agenda da CPI das Enchentes:

13/09 – Audiência Pública: Apresentação do Relatório do GT da Prefeitura
19/09 – Secretaria de Infraestrutura e Habitação
26/09 – Secretaria de Urbanismo
03/10 – Secretaria da Casa Civil + Secretaria de Fazenda
10/10 – Prefeito Crivella/ Gabinete do prefeito
17/10 – Votação do relatório final da CPI das Enchentes