Ecocídios brasileiros

O Brasil vive uma sequência de “ecocídios” que mancham a imagem do país lá fora e colocam em risco a nossa sobrevivência.

O episódio mais recente são as manchas de óleo que já atingiu nove estados do Nordeste. Não podemos deixar de citar as queimadas na Floresta Amazônica e o rompimento da barragem de Brumadinho, que matou mais de 200 pessoas.

Diante da urgência ambiental, ONGs e grupos ambientalistas se revezam na mitigação dos estragos e na cobrança ao Governo Federal.

Da tribuna da Câmara, o vereador Renato Cinco (PSOL) leu a “Carta Manifesto da Articulação Preparatória da Sociedade Civil Brasileira na COP 25”

“Vimos por meio desta apresentar publicamente nosso posicionamento sobre o processo desta conferência e a agenda climática em nosso país. Uma das principais causas do fracasso das Conferências das Partes (COPs) em estabilizar e reverter as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, assim, frear o fator antrópico do aquecimento global é o não reconhecimento de que a economia centrada no crescimento econômico ilimitado é o fator de maior impacto na escalada da temperatura do planeta. Denunciamos, assim, o papel das grandes corporações transnacionais que influenciam as COPs a ignorar esta realidade e desviar o sentido das ações climáticas dos governos e da própria Organização das Nações Unidas (ONU). Só haverá, de fato, uma convivência com a natureza quando indivíduos e comunidades se libertarem dessa opressão e ilusão, adotarem um padrão sóbrio de consumo e reduzirem a demanda por energia e bens. O sistema que seduz indivíduos para que comprem, consumam e descartem sem limites torna insustentável a economia do capital. São as comunidades humanas e seus membros, nos seus territórios, os que têm maior capacidade e interesse em cuidar da saúde dos ecossistemas e de ter uma convivência harmônica com o meio natural. A COP25 se realizará em um contexto no qual o planeta dá passos visíveis em direção ao caos climático”, aponta um trecho da Carta Manifesto.

Como se a pauta não fosse urgente e o colapso já não estivesse em curso, o atual governo realizou nesta semana o Leilão de quatro bacias de pré-sal. Sobre o assunto, o vereador também marcou posição com a leitura da Moção de Repúdio da Articulação Preparatória da Sociedade Civil Brasileira na COP 25.

“Estamos sob emergência climática. A ciência aponta que 90% das reservas de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) precisam permanecer no subsolo para que não ultrapassemos o limite administrável de aquecimento de 1,5°C acima das temperaturas pré-industriais. Nesse contexto, cada leilão de petróleo é um crime contra o clima planetário, a biosfera terrestre e a humanidade, particularmente contra jovens, crianças e gerações futuras”, diz a Moção.