O racismo mata todo os dias

Celebrar o dia da Consciência Negra é lembrar de Dandara e Zumbi dos Palmares. Também é dia de lutar em nome de todos quem foram explorados até a morte durante o período da escravidão e por aqueles que até hoje são perseguidos e mortos por motivações racistas.

De acordo com dados do Atlas da Violência, 75,5% das vítimas de homicídio no país são negras. Na última década, a taxa de assassinato de negros e negras cresceu 33% ao mesmo tempo que a taxa para não negros caiu 3%.

Morte ou cadeia?

A explosão da população carcerária é resultado de uma política que tem um alvo específico: o povo negro e pobre. Mais da metade dessa população de presidiários do Brasil é de jovens de 18 a 29 anos e 64% são negros. Os dados constam no Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias de 2017.

Guerra às drogas ou guerra aos pobres?

A guerra às drogas direciona os fuzis e caveirões do estado para um alvo específico. É o povo negro e pobre das favelas que sofre com a insanidade desta política repressiva.

No Rio de Janeiro, 30% dos homicídios do estado foram praticados pela polícia; na capital, a proporção é de mais de 40%. Não é raro acordar com histórias de operações policiais de combate ao narcotráfico que resultam na morte de inocentes, inclusive crianças.

Em agosto deste ano, seis jovens foram mortos em apenas cinco dias. Gabriel Pereira Alves, 18 anos; Lucas Monteiro dos Santos Costa e Thiago Freitas, ambos de 21 anos; Dyogo Xavier de Brito, 16 anos; Henrico de Jesus Viegas de Menezes Junior, 19 anos; Margareth Teixeira, 17 anos;

Em setembro, choramos a execução da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos. Ágatha foi atingida por um tiro disparado por um policial militar.

20 de novembro é dia celebrar a negritude e não deixar morrer a memória de todas as pessoas que tombaram por conta do racismo.